ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/09/2025

Durante a Ditadura Militar no Brasil (1964–1985), o cinema foi alvo de forte censura, com obras críticas ao regime sendo proibidas ou mutiladas. Isso limitava o acesso da população a produções que retratassem a realidade social e política do país, restringindo a diversidade de vozes e narrativas. De maneira análoga, na con-temporaneidade, embora não exista mais censura oficial, a população continua excluída desse espaço cultural, o que evidencia o desafio de garantir o cinema co-mo direito coletivo e democrático. Nesse cenário, destacam-se como obstáculos principais a elitização econômica, que restringe o consumo às camadas mais favorecidas, e a falta de acesso geográfico e de diversidade cultural, que mantém grande parte da sociedade afastada dessa forma de expressão artística.

Em primeira análise, fica evidente que a tradição de tratar a produção cinema-tográfica como um recurso voltado às elites permaneceu presente na sociedade, isso ocorre por exemplo porque os altos preços dos ingressos e a concentração das salas em shoppings de áreas privilegiadas tornam a atividade inacessível para a população de baixa renda. Nesse sentido, como destaca Hannah Arendt, o acesso à cultura é parte fundamental do espaço público, permitindo aos cidadãos desenvolver pensamento crítico e participar do debate social, que ao ser negado à maioria, o cinema deixa de cumprir plenamente sua função democrática.

Ademais, outro desafio à democratização do cinema é a desigualdade no acesso. Muitas cidades e periferias não possuem salas, e o preço dos ingressos restringe ainda mais a participação da população. Isso impede que o cinema cumpra sua função de formação cultural e crítica social, mantendo-o como um espaço restrito a poucos em vez de um direito coletivo.

Portanto, cabe ao Estado como autoridade governamental a resolução do problema. Pode-se implementar programas que levem salas de exibição a cidades e periferias sem infraestrutura adequada. A ação pode incluir a criação de cineclubes comunitários, mostras itinerantes gratuitas e incentivos financeiros a cinemas independentes, garantindo que o preço dos ingressos seja compatível com a renda local. Dessa forma, o cinema se tornaria mais acessível, cumprindo sua função educativa e social e consolidando-se como um direito coletivo.