ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/09/2025
Segundo o educador e filósofo brasileiro Paulo Freire, a formação cidadã só é possível quando há acesso democrático ao conhecimento e à cultura. Hodiernamente, nessa perspectiva, a análise do acesso ao cinema no Brasil mostra-se relevante, uma vez que a falta de democratização cultural e a desigualdade socioeconômica configuram as maiores problemáticas desse pernicioso cenário.
De início, é notório destacar a carência de políticas públicas voltadas à ampliação do acesso às salas de cinema. Isso porque grande parte dos municípios brasileiros não possui sequer uma estrutura desse tipo, restringindo a população ao consumo de produções audiovisuais apenas por meios digitais. Prova disso recai em dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), que apontam que mais de 70% das cidades brasileiras não têm cinema em funcionamento.
Ademais, cabe ressaltar que a desigualdade social agrava essa limitação. Esse contexto envolve a concentração de salas em áreas urbanas de maior poder aquisitivo, o que marginaliza cidadãos de regiões periféricas e rurais, dificultando o contato com produções culturais diversas. Sendo assim, torna-se urgente reconhecer que esse processo resultou hoje em uma exclusão cultural que reforça a desigualdade social no país.
Com o objetivo de alterar esse quadro e minimizar os impactos da restrição cultural, é dever do Ministério da Cultura promover a expansão de salas de cinema em regiões periféricas, por meio de parcerias público-privadas que viabilizem preços acessíveis e infraestrutura adequada. Outrossim, cabe às secretarias municipais de educação estimular projetos de cineclubes em escolas públicas, a partir da exibição gratuita de filmes seguida de debates formativos. Somente assim, será possível construir uma sociedade mais crítica, plural e inspirada pela arte cinematográfica.