ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 09/09/2025
De acordo com a pesquisadora Brené Brown, “não podemos consertar o que não podemos nomear”. A citação evidencia que, para resolver uma questão social, é preciso reconhecê-la e debatê-la. Nesse contexto, no que se refere à democratização do acesso ao cinema no Brasil, dois aspectos merecem destaque: a desigualdade socioeconômica e a concentração das salas em grandes centros. Esses fatores limitam o acesso à cultura, tornando urgente a reflexão sobre o tema.
Em primeiro lugar, a desigualdade social revela como o cinema ainda é um privilégio. Isso aparece no filme Que horas ela volta?, em que a protagonista enfrenta barreiras por sua origem humilde. A obra expõe como o acesso à cultura é condicionado à renda. Fora da ficção, muitos não frequentam o cinema por falta de dinheiro. Desse modo, como afirma Brené Brown, é preciso nomear essa negligência para transformá-la.
Além disso, é necessário abordar a concentração geográfica das salas de cinema, principalmente em regiões urbanas e centrais. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma que a modernidade líquida é marcada por relações frágeis e pela dificuldade de enfrentar desafios coletivos “de forma sólida”. Tal lógica contribui para a exclusão de comunidades periféricas e rurais do circuito cinematográfico. A ausência de políticas culturais efetivas nesses locais perpetua a invisibilidade social. Assim, nomear essa exclusão é essencial para garantir o direito à cultura de forma ampla e equitativa.
Dessa forma, para que a realidade mude, é necessário reconhecer os desafios, como propõe Brené Brown. O Ministério da Cultura deve criar projetos de cinema itinerante e ampliar o acesso digital, por meio de parcerias com prefeituras, buscando alcançar regiões afastadas. Além disso, as escolas podem promover sessões de filmes e debates, a fim de estimular o interesse cultural. Assim, será possível tornar o cinema um direito de todos, e não um privilégio de poucos.