ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/09/2025

O cinema, desde sua criação pelos irmãos Lumière no século XIX, tornou-se um meio de lazer e formação cultural. No Brasil, porém, esse acesso é marcado por desigualdades socioeconômicas e regionais. De acordo com a Constituição de 1988, a cultura deve ser direito de todos, mas a realidade está distante desse ideal. Assim, os desafios para a redemocratização do cinema envolvem tanto a falta de salas em várias regiões quanto os custos elevados dos ingressos, exigindo medidas concretas para garantir inclusão cultural.

Em primeira análise, a concentração de salas em grandes centros urbanos é um entrave relevante. Segundo a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), cerca de 70% das cidades brasileiras não possuem cinema, criando verdadeiros “desertos culturais”. Essa realidade pode ser compreendida a partir das ideias de Milton Santos, que afirma que a lógica do mercado reforça desigualdades regionais. Dessa forma, comunidades periféricas e interioranas ficam excluídas dessa forma de lazer e de formação crítica. Além disso, tal cenário contraria a cidadania cultural prevista na Constituição, já que limita o direito básico ao acesso à arte.

Outro obstáculo refere-se ao alto preço dos ingressos, que inviabiliza o acesso para grande parte da população. Pesquisa do Datafolha (2022) mostrou que mais da metade dos brasileiros não vai ao cinema por falta de recursos. Tal situação pode ser explicada pelo sociólogo Pierre Bourdieu, que entende a cultura como capital simbólico, distribuído de forma desigual entre as classes. Nesse sentido, o cinema, que deveria ser democrático, acaba elitizado. Isso reforça desigualdades já existentes e afasta a sociedade de um contato mais amplo com produções culturais diversas.