ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 11/09/2025

O filme brasileiro “Cinema, Aspirinas e Urubus”, dirigido por Marcelo Gomes, retrata a chegada do cinema itinerante ao sertão nordestino na década de 1940, revelando o poder transformador da arte cinematográfica ao levar cultura a comunidades isoladas. Apesar de se tratar de uma obra ambientada no passado, a narrativa dialoga com a realidade brasileira contemporânea, na qual grande parte da população ainda enfrenta obstáculos para acessar salas de cinema. Nesse sentido, observa-se que a desigualdade sociocultural e a fragilidade das políticas públicas voltadas à cultura são fatores que dificultam a democratização desse direito no país.

Diante desse cenário, a concentração das salas de cinema em grandes centros urbanos limita o acesso universal à cultura. Aristóteles defendia que a educação e a cultura são instrumentos fundamentais para o desenvolvimento da virtude e da cidadania. Quando a população de regiões periféricas ou do interior é privada de espaços culturais como cinemas, esse direito essencial se torna inacessível, perpetuando desigualdades sociais e limitando a formação crítica dos cidadãos.

Ademais, a ausência de políticas públicas culturais eficazes reforça a exclusão social. John Locke afirmava que a liberdade individual está diretamente ligada ao acesso ao conhecimento e à cultura, elementos essenciais para a plena participação na sociedade. No Brasil, a baixa prioridade dada às iniciativas de democratização do cinema impede que milhões de cidadãos usufruam de um direito fundamental, reforçando disparidades regionais e restringindo o desenvolvimento cultural da população.

Diante do exposto, é necessário promover a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Para isso, o governo federal e os estados devem ampliar a criação de salas de exibição em cidades de pequeno e médio porte, por meio de incentivos fiscais e parcerias público-privadas, garantindo que a população tenha acesso à cultura em todo o território nacional. Além disso, é fundamental investir em programas educativos e culturais que incentivem a cinematografia, promovendo formação crítica e inclusão social, de modo a reduzir desigualdades regionais e tornar o cinema um direito efetivamente acessível a todos os cidadãos.