ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
No século XX, o cineasta francés Georges Méliès afirmou que o cinema possui a capacidade de transportar o público para realidades distintas, promovendo conhecimento e lazer. No entanto, no Brasil contemporâneo, o acesso a essa forma de arte permanece restrito a determinados grupos sociais, o que evidencia a falta de democratização do cinema no país. Essa problemática decorre, sobretudo, da desigualdade socioeconômica e da concentração geográfica de salas de exibição, configurando um obstáculo à efetiva inclusão cultural da população.
Em primeiro plano, é válido ressaitar que o elevado custo dos ingressos limita a ida ao cinema por parte das classes populares. De acordo com dados da Agência Nacional do Cinema (ANCINE), a média de preço das entradas no Brasil é incompatível com a renda de grande parcela da sociedade, especialmente em regiões periféricas. Nesse sentido, o cinema, em vez de ser um espaço de formação crítica e socialização, torna-se um privilégio destinado a poucos, reforçando desigualdades históricas.
Ademais, a concentração de salas de exibição nos grandes centros urbanos intensifica esse problema. Muitas cidades brasileiras não possuem sequer um cinema ativo, o que dificulta o contato da população com produções culturais nacionais e internacionais. Essa realidade contradiz o princípio constitucional da cidadania cultural, que assegura a todos o direito ao acesso às manifestações artísticas. Assim, observa-se a perpetuação de um cenário excludente, em que o cinema não cumpre plenamente sua função social.
Portanto, é imprescindível que medidas sejam tomadas para reverter essa situação. O governo federal, em parceria com empresas privadas do setor audiovisual, deve promover políticas públicas de incentivo à cultura, por meio da redução tributária para ingressos e da criação de programas de cinema itinerante em regiões carentes, a fim de ampliar o acesso da população a esse espaço. Dessa forma, o cinema deixará de ser um privilégio elitizado e passará a cumprir sua função de instrumento democrático de lazer, reflexão e cidadania.