ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
Na década de 1960, o movimento “Cinema Novo”, liderado por Glauber Rocha, defendia que o cinema deveria ser acessível ao povo e voltado para a realidade brasileira. No entanto, o acesso ao cinema no Brasil ainda enfrenta barreiras; tanto no âmbito institucional — pela concentração de salas nos grandes centros urbanos — quanto no individual, pela exclusão social e econômica que afasta camadas populares do espaço cultural.
Nesse contexto, Pierre Bordieu alerta que, o acesso restrito a bens culturais perpetua desigualdade simbólica. Por isso, a distribuição geográfica de salas de cinema dificulta o acesso amplo. Segundo a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), mais de 70% dos ambientes estão localizados em regiões metropolitanas, deixando cidades do interior sem infraestrutura para o consumo de cinematografia. Haja vista que, o cinema, além de fonte de entretenimento, é meio para formação crítica e para reflexão, esta má distribuição reforça desigualdades sociais como alertado por Bordieu.
Ademais, a pesquisa “Retratos Culturais do Brasil”, realizada pelo Itaú em 2019, revelou que mais de 40% dos brasileiros nunca foram ao cinemas, principalmente por questões financeiras. Tendo em vista, o preço elevado dos ingressos, custo de transporte e alimentação superfaturada destes estabelecimentos, torna inviável para muitas famílias frequentar salas de cinema. Assim, o fator econômico agrava a exclusão de pessoas em desigualdade socioeconômica e impede o acesso à cultura.
Portanto, o Ministério da Cultura — cuja função é promover o acesso à bens culturais e fomentar sua produção — deve, por meio de políticas de interiorização do cinema, editais de incentivo e cineclubes comunitários, exercer sua função. Para que por meio dessas medidas, haja a inclusão social, e — como efeito — o fortalecimento da identidade nacional. Desse modo, a utopia de Glauber Rocha poderá se concretizar na prática social brasileira.