ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/09/2025
No clássico “A República”, de Platão, o filósofo defende a importância da arte como instrumento de formação moral e intelectual dos cidadãos. No Brasil contemporâneo, o cinema exerce função semelhante, ao proporcionar lazer, cultura e reflexão crítica sobre a realidade. No entanto, a democratização do acesso a essa forma de arte ainda enfrenta barreiras significativas, como a desigualdade socioeconômica e a concentração das salas em grandes centros urbanos, o que compromete o pleno exercício da cidadania cultural previsto pela Constituição de 1988.
Em primeiro lugar, observa-se que o alto custo dos ingressos constitui um obstáculo relevante. Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), o preço médio de uma entrada ultrapassa o valor do salário-hora de grande parte da população brasileira, tornando a ida ao cinema um privilégio de poucos. Assim, em um país no qual milhões de pessoas vivem em situação de vulnerabilidade financeira, a experiência cinematográfica acaba restrita a camadas sociais mais favorecidas, reforçando desigaldades.
Ademais, a concentração geográfica das salas de exibição também dificulta a democratização do acesso. De acordo com o Observatório do Cinema, mais de 70% das salas estão localizadas em capitais ou regiões metropolitanas, deixando cidades menores desassistidas. Isso gera um cenário de exclusão cultural, em que moradores do interior dependem de plataformas digitais — igualmente limitadas pelo custo da internet — para ter contato com filmes, o que restringe a vivência coletiva e a difusão de produções independentes.
Nesse sentido, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com governos estaduais e municipais, ampliar políticas de incentivo fiscal para redução do preço dos ingressos, por meio de subsídios e programas de meia-entrada social. Paralelamente, é necessário investir em projetos itinerantes, como “cinema nas praças” e ônibus-cinema, que levem exibições gratuitas a comunidades afastadas.