ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/09/2025
Desde sua invenção no final do século XIX, o cinema consolidou-se como uma das expressões artísticas mais completas, por unir imagem, som e narrativa em experiências capazes de emocionar e educar. No entanto, no Brasil contemporâneo, o acesso a essa manifestação cultural ainda é restrito, o que contraria o ideal de democratização cultural previsto na Constituição Federal de 1988. Tal cenário decorre, sobretudo, da concentração de salas em grandes centros urbanos e da elitização dos preços praticados.
Primeiramente, é relevante notar que a infraestrutura cinematográfica brasileira é desigual. De acordo com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), mais da metade dos municípios do país não possui uma única sala de exibição, o que marginaliza culturalmente milhões de cidadãos. Essa realidade se aproxima da crítica do filósofo Pierre Bourdieu, que associa o acesso desigual à cultura à reprodução das desigualdades sociais, já que a falta de oportunidades culturais limita a formação crítica e o capital simbólico das classes populares.
Outro obstáculo central é o custo elevado dos ingressos e produtos oferecidos nos cinemas. Em um país marcado por profundas disparidades socioeconômicas, como o Brasil, a ida ao cinema acaba se tornando privilégio de poucos. Isso é contraditório, considerando que o cinema, além de entretenimento, possui potencial educativo e formador, sendo capaz de transmitir valores, narrar a história nacional e estimular a reflexão social. Assim, a lógica de mercado imposta ao setor colide com a função social da arte.