ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 07/11/2025
“O que faríamos sem uma cultura?”, questionou a pensadora Mary Midgley, evi-denciando a importância desse aspecto da realidade humana. Entretanto, percebe-se como, na realidade brasileira, esse conceito não é devidamente valorizado, haja vista a falta de democratização do acesso ao cinema, fundamental para a aprecia-ção cultural. Deve-se analisar, então, as raízes do impasse: o descaso governamen-tal e o silenciamento da população.
Diante desse cenário, é relevante destacar a insuficiência estatal. Nesse contexto, o escritor britânico Benjamin Disraeli, apesar de não ter mencionado diretamente o cinema, afirma que o maior mal de um país é um governo fraco. A ideia do pensa-dor se relaciona com o tema porque, embora existam políticas de promulgação da arte, a falta de acesso às salas de filme surge a partir da omissão do Estado. Tal ne-gligência é evidenciada pela carência de cinemas construídos com dinheiro público e pela escassez de sessões gratuitas. Por conseguinte, a desigualdade estrutural, principal flagelo do problema, é intensificada.
Ademais, Jean Paul-Sartre explica, em sua obra “O ser e o nada”, o conceito co-nhecido como “Acomodação Social”, segundo o qual há alguns temas sociais bani-dos da discussão coletiva. Sob a lógica do filósofo, a discussão acerca do assunto, embora seja relevante para o desenvolvimento nacional, não recebe a devida im-portância. Esse silenciamento pode ser exemplificado pela ausência de debates nas mídias sobre a democratização do cinema, bem como a carência de campanhas de-mandando mais salas no interior. Assim, é incoerente que o Brasil ainda conviva com o arcaico empecilho da arte estar disponível apenas para poucos.
Portanto, cabe ao Estado — principal promotor do bem-estar num país — auxili-ar no transporte para grandes cidades, onde existem mais salas exibidoras, por meio da construção de mais linhas de ônibus que vão do interior para o centro ur-bano. A medida terá como finalidade facilitar o acesso aos filmes, mitigando os e-feitos negativos do impasse. Outrossim, a mídia deve ampliar a divulgação sobre esse assunto para mobilizar a sociedade e pressionar os políticos a combater o problema. Por fim, a nação poderá valorizar corretamente a cultura, como o fez Mary Midgley.