ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 04/11/2019

Durante a Guerra Fria, o setor cinematográfico dos EUA foi amplamente estimulado pelo seu governo, que ansiava difundir a cultura norte-americana ao redor do globo, como uma forma de arma ideológica. Após o período de guerra, o cinema ganhou uma outra perspectiva: o acesso à cultura e ao entrertenimento global. Entretanto, a adesão às produções cinematográficas não foi socialmente distribuído de forma homogênea e, por isso, as classes sociais mais baixas foram segregadas desse setor. Nesse contexto, há fatores sociais e governamentais que corroboram com essa ausência da democratização do cinema.

Em primeiro plano, a histórica estratificação social impede o acesso à cultura no geral. Segundo Karl Marx, a sociedade está dividida em diversas classes representativas da lógica capitalista. Uma das características que identifica a classe, é a sua facilidade de acesso aos bens de consumo produzidos pelas indústrias. Neste caso, o cinema é um bem localizado nos centros urbanos, com preços inacessíveis para pessoas de classe social mais baixa, moradoras da periferia. Por essa razão, é imprescindível que haja uma acessibilidade maior para esse corpo social.

Ademais, o Governo deveria promover ações para reduzir essa problemática, no entanto, isso não ocorre na prática. Segundo o escritor de “Leviatan”, Thomas Hobbes, o Estado, para ser legítimo, precisa defender primariamente os interesses do povo. Essa tese não é devidamente aplicada pois não há medidas governamentais para incentivar o acesso ao cinema em nível nacional, como a adoção de um passe livre para a classe baixa. Desse modo, a negligência por parte do Estado acaba agravando esse cenário de desigualdade e, por isso, ele deve contornar a situação.

Portanto, para tornar o cinema um bem mais democrático no Brasil, é necessário que o Ministério da Cidadania utilize recursos do Tribunal de Contas da União, para construir salas de cinema em regiões periféricas, adotando preços pelos ingressos compatíveis com a situação financeira do cidadão, beneficiando, assim, pessoas de baixa renda. Para isso, deve ser criado um projeto de lei que será discutido no Congresso Nacional. Por fim, após a aprovação dessa lei, em um curto a médio prazo, a população como um todo poderá disfrutar igualmente desse bem de consumo mundial.