ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 04/11/2019

Em suas obras, Adorno afirma que a formação da indústria cultural age no sentido de destituir a produção da cultura do seu caráter de expressão social da existência, tornando-a um item de consumo. Tal ideia pode ser relacionada à situação do mercado cinematográfico brasileiro, na medida em que o cinema prioriza a lucratividade em detrimento da sua função social. Esse fato acaba por restringir a democratização do cinema no Brasil e são necessárias atitudes para que o problema seja revertido.

Primeiramente, é possível perceber que os cinemas favorecem uma camada bastante restrita da sociedade. Essa constatação é demonstrada por pesquisas realizadas pela Agência Nacional do Cinema e por instituições relacionadas à indústria cinematográfica, que afirmam que, apesar do aumento do número de brasileiros no cinema nos últimas anos, o acesso às exibições restringe-se a uma diminuta parcela do povo, composta majoritariamente por pessoas de elevada renda, e um pequeno número de espaços, predominantemente em regiões urbanas valorizadas. Assim, torna-se claro que há um grande número de cidadãos privados do cinema, tornando-o um objeto de consumo de poucos privilegiados.

Ademais, os elevados preços das sessões de cinema são uma realidade no Brasil. A despeito da Lei de Incentivo à Cultura vigente, é notável a falta de interesse das redes cinematográficas em popularizar os seus ingressos. Tal fato relaciona-se diretamente à ideia de indústria cultural, em que não há o objetivo de promover a cultura em forma de arte, mas como meio de lucro. Desse modo, enquanto o cinema não é encarado como elemento de verdadeira promoção cultural no Brasil, prevalecerão, nesse contexto, exclusivamente os interesses comerciais acima dos sociais.

Portanto, com a finalidade de democratizar o acesso ao cinema no Brasil é indispensável a atuação do Ministério da Cultura em conjunto com as secretarias estaduais correlatas. Uma das ações necessárias é o desenvolvimento de programas de incentivo à implantação de salas de cinema no interior e periferias urbanas do país por meio de incentivos fiscais. Outra ação é impulsionar a disponibilização do acesso social, em todas as salas do país, às comunidades de baixa renda e estudantes, subsidiado pelos municípios e estados. Desta forma, com a participação estatal ativa, será possível remediar algumas consequências da indústria cultural e favorecer os cidadãos, reais detentores da cultura.