ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 04/11/2019

Desde a Idade Antiga, a sociedade sempre interessou-se por entretenimentos, exemplificados pelos teatros gregos dessa época. Com os avanços tecnológicos, foi possível a existência de novas formas de acesso às artes, sendo a principal delas o cinema. Entretanto, o acesso à Sétima Arte no Brasil é limitado e excludente, tendo como principais causas a desigualdade social e a falta de incentivos ao cinema nacional, gerando a necessidade de discussão sobre esse tema no século atual.

Nesse sentido, é importante perceber que a situação de vulnerabilidade socioeconômica de grande parte da população é responsável pelo baixo percentual de habitantes que frequentam as exibições cinematográficas, haja vista que não possuem recursos financeiros suficientes para usufruírem dessa forma de entretenimento. Um exemplo disso pode ser observado no pequeno índice de pessoas presentes nos cinemas, abaixo de 20 %, de acordo com a Ancine (Agência Nacional do Cinema). Aliado a isso, a concentração dessas salas de exibição nos grandes e médios centros urbanos exclui a possibilidade de acesso da população menos favorecida a elas, contribuindo para a precária situação de elitização dessa arte.

Além desse fator, a baixa quantidade de investimentos feitos à indústria cinematográfica nacional contribui para a sua pequena frequência de público, pois as principais exibições são estrangeiras, diminuindo o alcance dos conteúdos nacionais. Tal fator é claramente visível nos filmes produzidos fora do território brasileiro, angariando grandes lucros aos seus países de origem, não permitindo que haja interesse em financiamentos privados em filmes nacionais, perdendo-se boa oportunidade em explorar aspectos regionais importantes.

Dessa forma, medidas são urgentes para contornar esse problema. É necessário, portanto, que o Ministério da Cultura incentive a participação das classes menos favorecidas a esse tipo de entretenimento por meio de incentivos fiscais aos estabelecimentos comerciais donos dessas salas, garantindo a entrada gratuita de pessoas que comprovem sua baixa renda. Aliado a isso, os estados em parcerias com empresas devem investir mais no cinema nacional, destinando maiores verbas e patrocínios às produções regionais e à ampliação do número de cinemas nas pequenas cidades, possibilitando o alcance dessa arte aos menos favorecidos. Assim, tais medidas são os pilares para que o acesso ao cinema torne-se democrático.