ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 18/11/2019
O cinema segregado
De acordo com o sociólogo Ulrich Beck, a “sociedade de risco” é caracterizada pela não asseguração dos bens coletivos. No que tange aos bens culturais, sobretudo o cinema, não há a democratização do acesso no Brasil. Além disso, ele é concentrado espacialmente, posto que estão localizados nas regiões ricas. Em princípio, os locais de acesso aos cinemas estão segregados. No âmbito geográfico, a segregação socioespacial é causada, principalmente, pela diferença econômica. Com isso, por via de regra, as salas de cinema estão nos shopping centers que, por sua vez, são localizados em bairros com concentração de renda elevada. Consequentemente, os pobres são excluídos deste bem cultural, visto que, além do preço do ingresso ser alto, há o custo da locomoção. Dessa forma, é imprescindível integrá-los.
Vale ressaltar a relevância do cinema como veículo cultural. Dessarte, segundo o artigo 216 da Constituição Federal, é dever do Estado e da sociedade promover o acesso e a preservação da cultura. Desse modo, o Iphan, órgão encarregado encarregado de tal tarefa, em razão de sua indiligência, não consegue universalizar o acesso dos brasileiros nas salas de cinemas. Por conseguinte, muitos são privados desse meio que proporciona a visão crítica, já que ele estimula a atividade racional. Em suma, é fundamental universalizá-lo.
Torna-se claro, portanto, que é preciso democratizar o acesso ao cinema. Isso posto, é necessário que o Iphan, com a iniciativa privada e os municípios, crie o projeto “Cinema é Para Todos”, por meio da concessão de ingresso e transporte mensais para os beneficiados do CadÚnico irem ao cinema, e da realização de incentivos fiscais para as empresas cinematográficas, pois elas necessitam de algum impulso para descentralizar, com o intuito de ampliar o acesso das regiões periféricas pobres. Assim, o cinema não estará mais sob o desígnio do sociólogo Beck.