ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 04/11/2019

Sucesso cinematográfico, a franquia de super heróis “Marvel” foi responsável por levar milhões de pessoas às salas de cinema com o filme “Os vingadores: ultimato” em abril de 2019. Contudo, ao mesmo tempo em que o Brasil é palco de grandes bilheterias, evidencia-se a exclusão de boa parte de sua população desse fenômeno, seja pela segregação espacial, seja pela segregação socioeconômica.

Em primeiro plano, é necessário avaliar o papel segregador da localização das salas de cinema. A urbanização em países subdesenvolvidos, como o Brasil, se deu de maneira acelerada, sem planejamento adequado. Por conseguinte, espaços de entretenimento, tal qual o cinema, privilegiaram as regiões de maior poder aquisitivo, como os grandes centros urbanos. Desse modo, a distribuição das salas de cinema ocorreu de forma irregular e concentrada, fato esse evidenciado na relação habitantes por sala, na qual o Brasil ocupa a irrisória 60° posição.

Outrossim, concomitante à má distribuição das grandes telas, a condição socioeconômica também é responsável pela exclusão em questão. Por ter sido majoritariamente direcionado à regiões de alto poder aquisitivo, o cinema possui ingressos relativamente caros, inacessíveis para classes de baixa renda. Como consequência, mesmo com o crescimento significativo de tal entretenimento nos últimos anos, cerca de 83% da população brasileira não o frequenta.

Em suma, com base nos fatos supracitados, é notório que o acesso ao cinema não é democrático no Brasil; portanto, medidas devem ser tomadas visando reverter esse quadro. É papel do Ministério da Cultura, em parceria público privada, ampliar o número de salas de cinema, priorizando regiões afastadas dos grandes centros, atenuando, assim, a segregação espacial. Ademais, cabe ao Legislativo a promulgação de uma lei que promova a destinação de parte do lucro obtido pelas empresas cinematográficas à geração de ingressos gratuitos à população de baixa renda, permitindo, assim, que a democratização do acesso ao cinema se aproxime das terras tupiniquins.