ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/11/2019
Segundo Hannah Arendt, “a cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo.” Hodiernamente, no Brasil, observa-se que a visão de abertura de horizontes defendida pela filósofa alemã confronta a realidade brasileira, uma vez que, o cinema, uma das formas de consumo cultural, não está plenamente democratizado, e o seu acesso não está ao alcance de todos. São fatores que contribuem para essa problemática, o descaso governamental com as camadas mais pobres da sociedade, aliado ao desejo de obter lucros cada vez mais vultuosos dos cinemas.
Nesse contexto, a falta de engajamento governamental é um fator determinante para a pouca democratização do cinema no Brasil. Segundo Clement Attlee, Primeiro-Ministro do Reino Unido entre 1945 e 1951, “a democracia não é apenas é lei da maioria, é a lei da maioria respeitando o direito das minorias.” Nesse sentido, é indubitável que os direitos de acesso à cultura são vilipendiados no país, ainda que de forma velado, contrapondo-se ao que defendia o político britânico. Dessa forma, essa apatia estatal agrava o problema e faz-se, portanto, necessária a dissolução dessa conjuntura para promover o acesso irrestrito, especialmente, da população de menor poder aquisitivo e fora dos grandes contros ao cinema.
Ademais, a ganância das empresas que administram os cinemas também agrava o problema da democratização do acesso ao cinema no Brasil. Conforme Karl Marx, em sua obra “O Capital,” em um mundo capitalizado a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais." Sob essa ótica, a teoria do filósofo alemão se encaixa perfeitamente na realidade brasileira, uma vez que, a mercantilização cultural afasta parte da população das salas cinematográficas, o que demostra, dessa maneira, que, infelizmente, a falta de espaços com preços acessíveis à toda população e igualmente distribuídos é intensificado pelas práticas capitalistas.
Diante desse cenário, é imprescindível efetivas medicas de democratização do cinema no Brasil. Posto isso, cabe ao Estado, por meio de realocação de recursos financeiros para o Ministério da Cultura, investir em salas de cinema nas áreas periféricas e interioranas, a fim de tornar acessível esse meio cultural para todos. Para isso, pode-se, por exemplo, reverte a nefasta política de renuncias fiscais que, segundo o Tribunal de Contas da União somaram, somente em 2017, R$ 354,7 bilhões e utilizar parte desses recursos para custear esse projeto. Feito isso, tornar-se-á realidade na vida dos brasileiros a visão ampliada de mundo defendida por Hannah Arendt por meio do cinema.