ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/11/2019
A Constituição Federal de 1988 garante direitos igualitários aos cidadãos, inclusive o de estar inserido culturalmente. No entanto, a desigualdade do acesso às salas de cinema contradiz a norma e evidencia a falta de democratização do meio cultural. Logo, constata-se a inércia da situação, seja pelo capitalismo vigente, seja pelo descaso estatal.
É indubitável que a busca constante pelo lucro corrobora para a continuidade da problemática. Nesse contexto, dados da Agência Nacional de Cinema, destacam a existência de pouco mais de 2000 salas de cinema no Brasil, número desproporcional ao tamanho da população. Ainda, essa quantia se restringe principalmente aos grandes centros urbanos, como forma de valorizar o negócio. Dessa maneira, a localidade dos cinemas busca atender o modelo capitalista de sociedade, contribuindo para desvalorizar culturalmente as áreas menos populosas do país.
Ademais, a negligência do poder público com as áreas marginalizadas acresce o problema. Segundo Thomas Hobbes, é dever do estado garantir o bem-estar da população. No entanto, a falta de investimentos das prefeituras para a criação de cinemas gratuítos em áreas carentes, atesta contra a teoria Hobbesiana. Dessa forma, a omissão governamental limita o conhecimento desses grupos à realidade vigente, o que favorece a alienação.
Fica evidente, portanto, que é imprescindível a ação dos governos estaduais em destinar verbas voltadas para o empréstimo às empresas exibidoras de cinema para que construam franquias em cidades média e do interior, a fim de valorizar a cultura dessas áreas. Sendo relevante, ainda, as prefeituras criarem oficinas educativas em áreas de pobreza comprovada, com sessões semanais de cinema, em busca de conceder aos cidadãos lazer e conhecimento sobre as diferentes culturas, como forma de combater a alienação. Com essas medidas, a sociedade brasileira finalmente desfrutará da igualdade proposta por sua constituição.