ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/11/2019

No século XX, devido, principalmente, à mecanização do campo e criação de indústrias, ocorreu, no Brasil, o êxodo rural, que ocasionou um processo de urbanização rápido e não planejado. Como resultado, os cinemas aumentaram de quantidade nos grandes centros urbanos, visto que eles possuem alta renda. No entanto, é tácito que há impasses para a sua democratização, como a divisão das cidades pela renda e a exclusão digital.

É preciso considerar, antes de tudo, que a forma como o meio urbano é organizado representa um problema. Nesse sentido, ocorre o fenômeno geográfico denominado segregação socioespacial, que consiste na fragmentação do espaço a partir das classes sociais. Desse modo, as pessoas que detêm melhores condições financeiras tendem a se concentrarem nos centros, enquanto que os pobres vão para regiões periféricas. Por causa disso, as empresas não constroem cinemas nas cidades do interior, na medida em que elas não dispõem de “shopping centers” e de investimentos em infraestrutura.

Outrossim, é válido salientar que não são todas as regiões têm acesso à tecnologia. Nessa direção, o filósofo Pierre Lévy afirma que “toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Em virtude disso, é evidente que o cinema não foi distribuído igualmente para todo o Brasil, já que existem vários lugares que não detêm, até mesmo, internet, ferramenta essencial para o estabelecimento de empresas tecnológicas.

Fica claro, portanto, a necessidade de medidas para que haja a democratização do cinema no Brasil. Destarte, o governo deve garantir que eles estejam em todas as regiões. Para isso, ele poderia, por meio de investimentos na estrutura das cidades, atrair empresas privadas que financiem a construção de locais que exibam filmes e curtas metragens. Por conseguinte, as pessoas, independentemente do local em que reside, terão acesso ao cinema, uma vez que os impasses oriundos da urbanização seriam atenuados.