ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/11/2019
No contexto do fim do século XIX, foi criado em Paris o cinema, pelo francês Lumière. Uma década depois, no Rio de Janeiro, o prefeito Pereira Passos promoveu uma reforma urbana, com intuito de transformar a cidade na “Paris dos Trópicos”. Embora aos moldes franceses, a reforma não trouxe ao país a nova forma de transmissão de conteúdo, cenário no qual o Brasil ainda se mantém excluído. Desse modo, torna-se perceptível a dificuldade da democratização do acesso ao cinema no Brasil, consequência da popularização dos serviços de streaming, junto da falta de investimentos na consolidação do setor.
Diante do contexto, cabe ressaltar, em primeira análise, a influência da transmissão pela internet na precarização do cinema brasileiro. Em tempos atuais, é visível o crescimento de serviços de reprodução online, como a Netflix e o Youtube. Eles, reflexo da globalização, reduzem o custo e a necessidade de locomoção para ter acesso à filmes. Com base na teoria do Fato Social, de Durkheim, que indica a existência de normas na sociedade, percebe-se a difusão da internet como organismo central para ter acesso à cultura, em detrimento do cinema. Com isso, torna-se indubitável que empresas de streaming atuam como fator causal à redução na popularidade do modal.
Ademais, é perceptível que a distribuição heterogênea dos investimentos, no âmbito geográfico, é causa da elitização do cinema no Brasil. No romance modernista “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, é exposta a trama de Macabéa, personagem nordestina que sofre de invisibilidade social. Essa realidade, também pode ser trazida para longe das páginas, já que a região também se mostra invisível à apoio governamental e privado em relação ao cinema. A baixa disponibilidade de salas específicas para a reprodução desse conteúdo, também nas regiões Norte de no interior do país, elevam o custo do ingresso, pela lógica capitalista de oferta e demanda. Assim, poucos preferem enfrentar sessões de qualidade precária e caras, promovendo a decadência do setor. Portanto, é mister que os baixos investimentos em certas regiões do país contribuem para impedir a democratização dessa.
Destarte, devido ao supracitado, é perceptível a necessidade de medidas para ampliar o acesso ao setor cinematográfico no Brasil. Cabe ao governo federal, em parceria com empresas, a produção de filmes exclusivos para o cinema, aumentando a procura pelo modal. Isso resultará no aumento dos lucros das empresas, convertidos em diminuição do valor dos ingressos e melhorias na infraestrutura. Assim, o Brasil se tornará um país mais justo e igual para todos, trazendo aquela inovação parisiense agora de forma correta para os brasileiros.