ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 16/11/2019
A empresa midiática Netflix entrou no Brasil na década atual e já revolucionou a maneira que consumimos filmes e séries através de conteúdos de baixo custo e alta qualidade. Entretanto, por mais que esta ferramenta democratize o acesso populacional à arte cinematográfica, as salas de cinema ainda são restritas à um grupo cuja localização geográfica se faz privilegiada. Assim, o acesso de indivíduos de àreas periféricas é excluido, o que polariza a população e a impede de ver seus problemas projetados nas telas.
Em primeiro lugar, cabe salientar que a especulação imobiliária é a maior problemática no acesso igualitário à elementos que compõem, majoritariamente, os centros urbanos, como o cinema. Ou seja, se trata da ultravalorização de imóveis próximos à áreas de convêniencias humanas, que aliado à dificuldade de locomoção urbana, segrega socioculturalmente populações periféricas. Nessa ótica, segundo Emily Durkheim e a teoria da coesão coletiva, indivíduos como estes são marginalizados e excluídos à medida que não compartilham os mesmos costumes com a maioria. Logo, o cinema não consegue se consolidar como ferramenta sociointegradora.
Outrossim, o filme Tempos Modernos, do século XX, de Charles Chaplin, expõe de forma crítica e cômica o surgimento de uma nova época com velozes mudanças tecnocientíficas, econômicas e nas relações de trabalho. Tal forma de arte foi responsável por representar e deixar nítido os problemas e desafios da realidade dos que assistiam, permitindo que estes saissem das salas com uma percepção crítica e evidenciar as mazelas das quais eram submetidos. Uma população que não acessa o cinema não enxerga o próprio reflexo e assim não vê seus defeitos.
Portanto, é mister que a dificuldade no acesso ao cinema deve ser corrigida pelo estado. Urge que o Ministério da Cultura, amparado pelo Congresso, altere suas regulamentações e obrigue cinemas à terem um número mínimo de salas nas periferias a cada número destas nos centros. Isso pode ser feito por projetos de lei e se assemelha com o que é feito em licitações. Dessa forma, diminuiremos a exclusão social e aumentariamos o nível de instrução populacional sobre a própria realidade por facilitar o acesso dos esquecidos. Concluimos que o Brasil deve democratizar o cinema nacional assim como a Netflix democratizou nosso acesso ao audiovisual. Esse é o caminho para o futuro.