ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/11/2019

De acordo com o sociólogo Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa influenciam diretamente na sua compreensão do mundo. Assim, a cultura e a sua promoção são elementos essenciais para o desenvolvimento crítico e sociopolítico da sociedade. Contudo, no Brasil, há um déficit cultural atrelados aos empecilhos no acesso aos cinemas. Diante disso, nota-se que a problemática está intrinsecamente associada à disponibilidade e disposição de salas de cinemas das cidades, além da pirataria e o surgimento de plataformas de streaming.

Em primeiro plano, é importante discutir os problemas relacionados à infraestrutura brasileira e suas implicações. Por um lado, nos grandes centros urbanos, as salas de cinemas se localizam nos centros e áreas ricas. Por outro, no interior dos estados, são escassas as salas. Assim, a parcela da sociedade que já se encontra marginalizada, precisa ter gastos com deslocamento e o próprio preço para assistir às sessões. Nesse sentido, em todo território nacional há uma segregação social e econômica que dificulta a democratização do acesso às sessões cinematográficas. Como reflexo, estudos do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados, IBPAD, 60% dos municípios do Nordeste não possuem e não existem planos para implementação de salas de cinema.

Vale analisar, ainda, as consequências da tecnologia na sociedade contemporânea e como elas mudaram a relação das pessoas com o cinema. Desse modo, com a popularização dos smartphones e uma recente e tímida democratização do acesso à internet, plataformas de streaming chamam atenção pelo seu preço competitivo e catálogos com milhares de títulos. Ademais, a pirataria esteve presente e enraizada no Brasil, como ataque direto à indústria cinematográfica. Todavia, essas são as opções para as classes econômicas mais baixas e periféricas da sociedade, haja vista a dificuldade de acesso aos cinemas.

Ao considerar os aspectos mencionados, torna-se evidente a necessidade de medidas para democratizar o acesso ao cinema no Brasil. Nesse contexto, o filósofo grego Aristóteles sustenta a ideia de que os desiguais precisam ser tratados de modo diferente, na medida de suas desigualdades. Portanto, cabe ao Estado em parceria com cinemas privados, criar um cadastro nacional onde pessoas que comprovem baixa renda tenham desconto além da meia-entrada, de modo que o acesso aos cinemas seja impulsionado e se torne menos proibitivo para essa camada social.  Logo, os limites do campo de visão da sociedade brasileira se expandirão e a população se tornará culturalmente ativa.