ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/11/2019

A vinda da família real ao Brasil Colônia, no século XIX, representou grandes avanços infraestruturais e tecnológicos para a sociedade, pois além da construção de museus e universidades, trouxe grandes artistas que difundiram às artes pelo território nacional. Entretanto, hodiernamente, o acesso a salas de cinema demonstra que esse desenvolvimento acaba não abrangindo todos os cidadãos brasileiros. Tal panorama merece zelo, pois além de ferir direitos fundamentais, demonstra que a desigualdade social segue intrinsicamente ligada a realidade do país.

Primeiramente, é valido ressaltar que embora a Constituição Federal de 1988 garanta o acesso a informação, ao pleno desenvolvimento e a igualdade para toda a população, parece que isso não está acontecendo como deveria, pois muitos indivíduos, marginalizados, sentem-se inferiorizados pela limitação de acesso as belas artes. Desse modo, ao passo que, em 5 anos, a procura por salas de cinema tiveram um crescimento de 43%, somente 17% da população tem condições de usufruir rotineiramente desse espaço. Assim, evidencia-se que opções de lazer, como o cinema, limitam-se a uma pequena parcela da população.

Em segunda análise, é indubitável que questão econômicas são grandes impulsionadoras do problema. De acordo com o sociólogo Emile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. De forma análoga, de acordo com pesquisa divulgada pela ANCINE, áreas nobres e com maior poder aquisitivo, como shoppings, são as que mais possuem salas de cinema. Desse modo, evidencia-se um grande desequilíbrio no trato social, em que, as parcelas mais pobres carecem de visibilidade e ações estatais, a fim de obter semelhante bagagem cultural e acessibilidade quanto as demais. De forma que, incentivos em cinemas regionais e comunitários representariam um reequilíbrio às disparidades sociais.

Portanto, para amenizar as divergências de acesso ao espaço cinematográfico, é de suma importância que os Estados, em parceria com o Ministério da Cidadania e empresas privadas, promovam a redemocratização do acesso a todas as camadas sociais. Para tal, urge que campanhas de diminuição no preço dos ingressos, ou sistemas de troca por alimentos sejam instaurados, bem como o incentivo ao cinema regional e as produções independentes, que desvinculem o cinema apenas do âmbito consumista e elitizado, configurando uma opção de lazer limitada, e o levem ao objetivo principal dos filmes -levar alegria, histórias e dramas a todos que desejem embarcar nas aventuras juntamente com os atores.