ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/11/2019
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu o direito a educação e cultura à todos os brasileiros. Nesse contexto, o cinema desempenha papel fundamental como difusor de cultura. No entanto, o acesso aos cinemas no Brasil enfrenta uma grave crise por conta dos altos preços cobrados pelos ingressos, em comparação com os serviços de “streaming”. Em consequência, a queda do faturamento causa o fechamento de cinemas por todo o país, agravando essa trágica mazela social.
Em primeiro lugar, é importante destacar que os elevados preços dos ingressos afastam a população das salas de exibição de filmes. Vale ressaltar, no entanto, que a concorrência tanto dos serviços legais de “streaming”, como Netflix e Globoplay, quanto dos ilegais, como “torrents” e o “IPTV”, fazem as famílias optarem por estes últimos, visto que seu custo é exageradamente inferior. Por vezes, a despesa com um ingresso no cinema do shopping equivale a um mês assistindo diversos filmes pelo Netflix, o que é lastimável para as empresas exibidoras.
Ademais, o menor número de espectadores causa a queda do faturamento, fazendo sucumbir salas de cinema por todo o Brasil. Nesse contexto, fica extremamente dificultoso encontrar a sétima arte em cidades do interior que por vezes abrigavam apenas uma sala e agora tem os recursos desta deslocados, pelos empresários, para os cinemas das capitais a tentativa de os salvar. Dessa forma, o acesso ao cinema fica restrito às metrópoles, estrangulando a cultura e a educação no interior. Segundo o inventor Benjamim Franklin, “o talento sem educação é como a prata na mina”. De forma análoga, o cidadão do interior tem diminuída a sua capacidade de lapidação do intelecto, o que é gravíssimo para um país que busca o progresso.
Enfim, segundo o jornalista George Shaw, “não há progresso sem mudança”. Logo, é dever do Estado, na forma do Ministério da Educação, elaborar um projeto que vise subsidiar o funcionamento de cinemas nas cidades do interior, diminuindo, deste modo, o preço dos ingressos, bem como a construção de novas salas onde há déficit desse serviço. Essa ação se daria através da liberação de benefícios fiscais e também da destinação de parte das verbas dos royalties do petróleo. Assim, o funcionamento das salas de exibição, a abertura de novos pontos, bem como os atrativos preços estariam garantidos, preservando, então, a transmissão de cultura e educação através da sétima arte.