ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/11/2019
A Constituição Federal, de 1988, prevê a todo cidadão o direito à educação, bem-estar social e lazer. No Brasil atual, entretanto, a falta de mobilização do Estado, diante da urbanização, permitiu que populações inteiras fossem excluídas do universo do cinema. Nesse sentido, convém analisar as causas, consequências e possível solução do problema da democratização ao acesso às telonas no país.
É fundamental pontuar, de início, que a urbanização acelerada e a falta de investimentos em infraestrutura são causas agravantes da mudança na geografia do cinema. Nesse sentido, a Agencia Nacional de Cinema divulgou que o Brasil, antes apresentando 80% das 3300 salas de cinema nas cidades do interior, nos dias atuais sofre diante das 2200 salas em todo território nacional. Dessa forma, é inadmissível que tais fatores continuem contribuindo na formação de um problema social com dimensões cada vez maiores.
É imprescindível pontuar, também, que são consequências da dificuldade do acesso ao cinema, principalmente, a segregação populacional e a restrição social e cultural das sociedades mais pobres. Isso ocorre devido ao constante crescimento de um cenário capitalista que, ao visar apenas o lucro, privilegia as áreas de renda mais alta no país. Referências disso podem ser encontradas no “site” do Governo Federal, que mostra o Norte, o Nordeste e as periferias urbanas como grupos excluídos do universo do cinema.
Portanto, para que as prescrições constitucionais não sejam apenas teóricas, mas se tornem medida prática, é necessária uma ação mais organizada do Estado. Assim, o Governo Federal deve promover o investimento em infraestrutura e descentralização cultural, por meio de projetos sociais, como cinemas públicos, em sociedades menos favorecidas, com o objetivo de incluir toda a população nas atividades socioculturais do país. Espera-se, com isso, eliminar a segregação e aumentar a democratização do acesso ao cinema no Brasil.