ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/11/2019
Em 1988, Ulysses Guimarães promulgou a Carta Magna e estabeleceu que o direito ao entretenimento deveria ser garantido a todos. Entretanto, o baixo índice de pessoas que frequentam cinema evidencia a necessidade de se democratizar o acesso no Brasil e mostra que a promessa de Guimarães está distante de ser realidade. Com efeito, há de se combater a pertinente Indústria Cultural e a omissão do Estado.
Em primeiro plano, a superficialidade dos modernos conteúdos democráticos e a existência de poucas salas colaboram com a incipiência do acesso ao cinema. A esse respeito, Theodor Adorno, em seu conceito de Indústria Cultural, afirmava que os conteúdos modernos conteúdos midiáticos são esvaziados de senso crítico e feito para alienar. Desse modo, a atuação da mídia já democratizada - televisão aberta, rádio - fragiliza o acesso ao cinema no Brasil, uma vez que a alienação, consoante Adorno, mostra ser um obstáculo à procura de novos horizontes. Dessa maneira, é importante que se analise o papel das empresas de televisão e rádio para a democratização do acesso ao cinema no Brasil, para maior capitalização e crescimento das empresas de cinema.
De outra parte, a indiferença das autoridades dificulta o acesso às salas exibidoras de filmes. Desse modo, John Locke -pai do liberalismo político- desenvolveu o conceito de Contrato Social, o qual afirmava que o indivíduo cede sua liberdade, e o Estado, em contrapartida, deve garantir direitos ao cidadão. Todavia, a falta de incentivos públicos e a não garantia de acesso aos cinemas por parte do Estado degrada a democratização dos cinéfilos. Outrossim, não é razoável que as autoridades se mantenham inertes ao problema e distantes de cumprir o Contrato Social.
Urge, portanto, que o Estado cumpra com a Constituição de Guimarães. Dessa maneira, a imprensa aberta deve fomentar a desconstrução da Indústria Cultural , por meio de propagandas elucidativas, com atores famosos, visando estimular o senso crítico do telespectador e a importância da democratização do cinema. Ao Poder Público, por sua vez, compete incentivar novos cinéfilos, por intermédio da criação de novas salas de cinema gratuítas, tendo por finalidade garantir além da presença estatal, o fácil acesso.