ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 05/11/2019
Ao final do século XIX e início do XX, a fotografia viu-se atingir grandes proporções na vida das sociedades. Com os avanços tecnológicos, não apenas momentos estáticos passaram a ser registrados, como também a dinamicidade dos filmes. Isso deu início, por conseguinte, aos cinemas. A população brasileira, embora o país possua grande quantidade de cinemas, não goza de acesso homogêneo a esse entretenimento, o que causa a elitização de tais ambientes.
Em primeiro lugar, sob um ponto de vista histórico, observa-se que o Brasil caracterizava-se como um país predominantemente rural nos períodos da colonização e economia cafeeira. Todavia, o Governo de Getúlio Vargas intensificou as indústrias de base e a política de substituição de importações, além de propiciar as leis trabalhistas ao trabalhador urbano. Isso, somado à política desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek, propiciou a rápida e desorganizada urbanização do Sudeste, o que gerou as periferias e altíssimas taxas de desigualdade social. Dessa maneira, a construção de shoppings nas áreas mais ricas das grandes cidades junto ao transporte público e infraestrutura urbana sucateados impedem o acesso democrático de todas as classes sociais aos cinemas. Com isso, aumenta a exclusão social dos mais carentes de recursos e diminui o acesso desses à informação.
Sob o mesmo viés, ressalta-se que o processo de globalização e o progresso das tecnologias de informação deram início à construção de ferramentas as quais permitam um maior alcance de visualizações de filmes e séries, a exemplo da Netflix. Outrossim, destaca-se o papel dos filmes e séries na discussão de pautas importantes para a sociedade, com a finalidade de desconstrução de tabus e preconceitos. A série da Netflix “Os 13 porquês” fala sobre a necessidade de denunciar o bullying e o filme “Coringa”, de 2019, mostra como os traumas interiores, a vida urbana, as transformações sociais e a escassez de empatia podem proporcionar o surgimento de patologias psicológicas, como a depressão e a ansiedade.
Portanto, de acordo com os fatos analisados, são necessárias medidas as quais resolvam o impasse da disparidade do acesso ao cinema no Brasil. Cabe ao Poder Executivo, por meio do envio de verbas para a melhoria da infraestrutura das cidades e o transporte urbano, além da distribuição de renda às camadas sociais mais necessitadas, promover a redução dos índices de disparidade social. Ademais, é indispensável que ocorra a descentralização dos cinemas, por meio da construção desses em periferias e cidades interioranas, com preços populares. Desse modo, o acesso ao entretenimento será mais igualitário, as populações carentes terão mais acesso ao lazer e a sociedade, por consequência, tornar-se-á menos díspar e excludente.