ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/11/2019

Em 2018 a Disney anunciou a progressiva retirada de suas séries e filmes da plataforma de “streaming” Netflix e abertura de sua própria plataforma. O crescimento de sites do gênero e da diversificação de conteúdo oferecido por eles têm preocupado companhias de cinema, que não se mostraram capazes de democratizar o acesso à cultura cinematográfica no Brasil no ritmo exigido pela Era da Internet. Ultrapassar obstáculos como o alto custo da ida ao cinema e a falta de praticidade se torna um desafio para a sobrevivência dos telões.

O surgimento de aplicativos como iFood, Loggi e Rappi fizeram com que a população passasse a pedir comida, coordenar entregas de produtos e até mesmo comprar do mercado os itens básicos da despensa sem que houvesse a necessidade de sair de casa. Com alguns cliques e o pagamento de uma taxa acessível as solicitações chegam à porta de entrada. Não poderia ser diferente com o consumo de mídias através de páginas como Amazon Prime, Netflix e HBO Go associado à aquisição de imensas televisões com acesso à internet, as SmartTVs, que carregam a qualidade de imagem e som antes atribuída exclusivamente aos cinemas.

Além disso, os custos de uma assinatura para o acesso de milhares de seriados e filmes nesses sites alcançam um valor aproximado de um ingresso de cinema, uma desvantagem significativa para os estabelecimentos físicos. Dessa forma, ir ao cinema implica em diversos fatores, inclusive o financeiro, causando maior desinteresse e uma baixa frequência de telespectadores, principalmente os mais atingidos pela crise econômica que continua assolando o país.

Portanto, a superação dos obstáculos tratados deve ser feita por meio de medidas de regularização governamental, impondo uma precificação mais justa estimulada pelos Ministérios da Cultura e da Economia em conjunto com a iniciativa privada na flexibilização de custos dos ingressos. Pode ser inevitável que o cinema físico se torne obsoleto pelo contínuo crescimento tecnológico, que não necessariamente signifique o fim do cinema em sua essência, apenas ressignificando seu conceito.