ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 05/11/2019
Comédia, ação, documentário, terror, suspense: esses são alguns dos gêneros que constituem o cinema, também conhecido como a sétima arte, tamanha é sua importância. Entretanto, no Brasil, a realidade atual é que o acesso a esse mecanismo de difusão de conhecimento está centrado em uma pequena parcela da população: aqueles de maior renda, que moram em bairros estruturados. Nesse contexto, de um lado, tem-se o alto custo de ingresso; de outro, a ausência de uma “telona” na vizinhança ou cidade.
Em primeiro lugar, cabe salientar que, apesar dos subsídios de meia entrada providos a uma parcela da população, persiste a impressão do público de que ir ao cinema é um programa caro. Tal fato é justificado, muitas vezes, pela possibilidade de se ter acesso a um acervo enorme de filmes em plataformas de streaming, a exemplo do Netflix, por um preço mensal que equivale ao valor de um ingresso para uma única sessão de cinema. Diante disso, é inegável que, para a população hipossuficiente, esse fator seja critério primordial na tomada de decisão sobre não frequentar uma “telona”.
Ademais, a evidente má distribuição espacial dos cinemas no Brasil torna dificultoso e não democrático o acesso à obra de Lumière, sobretudo pelo fato de, apesar de ter ocorrido, desde 1997, uma duplicação na quantidade de salas, esse crescimento não foi pulverizado de maneira eficaz no mapa urbano brasileiro. Além disso, esse incremento foi insuficiente em magnitude, o que faz com que o País seja o 60º no indicador que ordena as nações pela quantidade de habitantes por sala. Portanto, medidas de saneamento devem ser implementadas a fim de mitigar o problema. Nesse sentido, urge que o Governo Federal, por meio da ANCINE (Agência Nacional de Cinema), desenvolva um programa de festivais de cinema de rua gratuitos, com frequência bimestral, para que a população de baixa renda tenha acesso. Tal medida deve ser centrada em bairros e cidades não aclamados pela presença de salas de cinema. Assim, não há dúvida de que haverá uma maior democratização do conhecimento adquirido, pela massa menos privilegiada, sobre a sétima arte.