ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 05/11/2019
Aristóteles, importante filósofo da Grécia Antiga, definiu a função do teatro como catártica, ou seja, a partir de produções teatrais os indivíduos se tornam mais sábios, uma vez que adquirem experiência através de situações não vivenciadas, apenas assistidas. Hodiernamente, o cinema possui função análoga a do teatro e promove, além de entretenimento, o acesso a diversos conhecimentos. Todavia, apesar da expansão no número de salas que projetam filmes, muitos indivíduos brasileiros, antidemocraticamente, não têm acesso a essa tecnologia. Essa situação é passível de análise e exige uma solução.
Em primeiro plano, é cabível dizer que, com o milagre econômico ocorrido durante o governo de Médici, o êxodo rural no Brasil foi impulsionado e as cidades receberam milhares de habitantes. Entretanto, a infraestrutura não acompanhou esse crescimento e a desigualdade social tomou proporções elevadas. Dessa forma, determinadas áreas, sobretudo aquelas em que a renda é mais alta, tiveram seu desenvolvimento priorizado e receberam as estruturas necessárias, inclusive estabelecimentos de entretenimento, como o cinema. Enquanto outras áreas foram esquecidas.
Diante dessa conjuntura, percebe-se que milhares de brasileiros são excluídos das salas de filme, haja vista que as distâncias geográficas são grandes e a condição financeira é baixa. Destarte, o que nascera para proporcionar alegria e informação para todos acaba se transformando, segundo o ideário marxista, em mais um benefício da classe dominante. No atual cenário do Brasil, segundo um levantamento do site “Cinema Para Você”, as salas projetoras de filmes estão afastadas das periferias e do interior, comprovando-se, assim, a tese de que o acesso aos cinemas não é democrático.
Infere-se, portanto, que mudanças são necessárias para a adesão do cinema à rotina dos brasileiros. Com essa finalidade, as empresas cinematográficas podem construir filiais, a partir da isenção fiscal cedida pelo Governo, em regiões carentes de entretenimento. Além disso, aqueles que comprovarem ter uma renda baixa devem ser isentos de pagar o ingresso dos filmes. Dessa maneira, o público do cinema crescerá e mais pessoas terão diversão e conhecimento, cumprindo-se, assim, a função catártica aristotélica.