ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 06/11/2019

De acordo com a Constituição Federal do país, promulgada no ano de 1988 em defesa dos ideais democráticos, todo cidadão possui o direito à cidadania, ao lazer e, principalmente, à igualdade social. Em contrapartida, no Brasil, quando se observa a distinção do acesso ao cinema, é notável que tal empecilho, além de um retrocesso social, fere os preceitos constitucionalmente previstos. Nesse sentido, convém analisar as principais causas desse danoso impasse e possível medida capaz de atenuá-lo.

Em primeira instância, é importante frizar de que maneira a perpetuação da desigualdade contribui para o entrave. Assim, conforme a perspectiva de Theodoro Adorno e Max Horkheimer, filósofos alemães da Escola de Frankfurt, as indústrias culturais contemporâneas, em sua maioria, têm como principal característica a massificação de suas produções, fator que se manifesta, sobretudo, no cinema. Lê-se, enfim, como nociva a percepção de que em um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, as elaborações de cunho artístico não possam ser acessadas por toda a população, haja vista que, se a empresa mercantiliza a cinematografia, apenas os indivíduos com renda – para além das despesas básicas – poderão acessá-la.

Somado a isso, vale ressaltar como o crescimento do preço dos ingressos em cinemas acentua o problema. Por esse viés, segundo pesquisa publicada pelo portal de notícias G1, o valor das entradas para assistir aos filmes lançados cresceu quase 10% em 2019. É, pois, inadmissível que se busque igualar a disposição das produções audiovisuais se esses valores crescem anualmente, porque, bem como defende a Constituição, a democracia é um direito e, por isso, inflacionar esses valores fere a própria lei estatal.

É mister, portanto, que se crie medidas capazes de apaziguar o empecilho e, quiçá, possibilitar que os preceitos legais deixem de ser utopia no Brasil. Logo, faz-se dever do Governo Federal democratizar o acesso às produções cinematográficas, por meio da criação de salas de cinema públicas, com a disposição de filmes variados, especialmente os que são livres para todos os cidadãos. Espera-se, com isso, garantir a acessibilidade de qualquer indivíduo às criações artísticas do ramo audiovisual e, desse modo, contribuir para o progresso da nação.