ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/11/2019

A obra do literário Ariano Suassuna, “O Auto da Compadecida”, aborda as histórias de dois personagens, Chicó e João Grilo. No enredo, retrata a realidade crítica enfrentada pela população nordestina, rodeada de miséria e pobreza. Todavia, apesar de todo esse contexto, mostrou a existência de um cinema improvisado, criado pela população local e nesse momento, havia descontração e alegria. Fora da ficção, assim como no filme, os indivíduos necessitam dos momentos de tranquilidade, proporcionado por algumas horas no cinema, mas, hodiernamente, algumas regiões são privadas desse acesso. Sob esse viés, há fatores que intensificam o ocorrido, tais como, a fixação social em obter lucro e a alienação desses, à fatores externos, são esses, óbices dos cinemas no século XXI.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que durante a análise de locais para instalar um cinema, é prioridade das empresas e do Estado regiões que darão lucro ao investimento. À medida que é notória a concentração de cinemas nos grandes centros urbanos, os quais têm grande círculo monetário, enquanto as áreas pouco populosas ou sem destaque econômico, são excluídas. Nessa perspectiva, oposto ao apresentado pelo escritor Jeremy Bentham, na sua teoria utilitarista - uma ação só é considerada moralmente correta, se for favorável a maioria - essas ações são movidas pela ganância, não pensam em favorecer a maior parte dos brasileiros, apenas aqueles que retribuirão com dinheiro. Desse modo, os conteúdos cinematográficos são privados das minorias, em prol do foco no lucro.              Outrossim, os indivíduos com acesso a esse setor não se preocupam com aqueles que não o tem. Visto que são alienados aos problemas exteriores a si. Nesse tocante, análogo ao pensamento do filósofo Arthur Schopenhauer, o campo de visão dos cidadãos é limitado aquilo que os cerca, assim, como essa temática não faz parte da realidade dos beneficiados, torna-se inviável a preocupação desses, com os grupos sem acesso à essa arte. Diante disso, em prol da negligência dos favorecidos para com esse assunto, o grupo que não frequenta os cinemas, não consegue ter essa experiência, a qual instiga a imaginação e gera diversas sensações, como diversão, alegria e até mesmo medo.                 Diante do exposto, é mister medidas que alterem o cenário “anti-democratico” do acesso ao cinema. Portanto, urge que os governos estaduais, com apoio do Ministério da Cultura, incentivem projetos para a criação dos cinemas nas cidades, por meio de manifestações pacíficas da população local, a fim de que consigam efetivar essa proposta e garantir que todo o país tenha acesso a essa plataforma cultural. Ademais, cabe as prefeituras municipais, realizar, nas praças públicas das cidades, cinemas improvisados, para que mesmo sem toda a estrutura cinematográfica, todos tenham direito a essa diversão. Feito isso, a sociedade aproximar-se-á da união gerada pelos cinemas, assim como no filme.