ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/11/2019

Em 2019, o lançamento do filme “Bacurau”, que evidencia a realidade sertaneja, foi responsável por trazer uma maior visibilidade à vida e aos costumes interioranos do Brasil. Contudo, apesar do cenário retratado, a população que se assemelha aos personagens da obra é a mesma que encontra as maiores barreiras no acesso a essa categoria artística, visto que a disponibilidade dos meios de transmissão é centralizada e não abranje todas as demandas. Nessa conjectura, faz-se pertinente a análise acerca da importância dessa modalidade culturual e, ainda, dos fatores que coibem sua democratização.

A priori, quando fundado, cabia ao cinema apenas a função de espetáculo, sem possuir uma profundidade social. Todavia, durante o preíodo entre guerras, no século XX, o drama “Tempos Modernos”, protagonizado por Charlie Chaplin, elevou o caráter reflexivo dessa arte, ao expor a problemática da vida nas fábricas. A partir daí, os filmes assumiram a postura de plataformas para a disseminação de culturas e de ideologias, e formadores da identidade nacional. Porém, diante da mercantilização das produções cinematográficas, o acesso a esse produto se tornou centralizado e excludente, tendo em vista que regiões periféricas e interioranas são privadas desse desfrute. Logo, conclui-se que o papel social dessa modalidade não chega à grande parte do povo brasileiro.

Outrossim, a precariedade dos investimentos, por parte das empresas exibidoras, em regiões afastadas das metrópoles, temerosas com o possível custo-benefício, aliada ao mal funcionamento de políticas públicas não facilitaram a superação dessa questão. Em consequência a essa situação, apenas 17% dos brasileiros frequentam os cinemas do país, que atualmente contam com mais de 2200 salas, no total. Apesar do número citado ser expressivo, o país ocupa a 60° posição no ranking que mede a relação de habitantes por sala. Por isso, fica perceptível a grande disparidade de ofertas desse meio e, potencializado o desconhecimento de obras nacionais.

Diante do supracitado, fica notório o paradoxo quanto ao cenário e aos personagens do filme “Bacurau” e a privação do consumo imposta à parcela da população, semelhante à nele elencada. Portanto, cabe ao Poder Executivo dos municípios articular parcerias entre a esfera pública e a privada, negociando benefícios fiscais em troca da instalação de cinemas e descontos no valor de ingressos para a população menos favorecida, a fim de promover a pluralidade no consumo desse meio. Ademais, compete à Agência Nacional de Cinema possibilitar a exibição de filmes nacionais em praças públicas de pequenas cidades, fomentando essa indústria.