ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/11/2019

No movimento realista, o escritor Carlos Drummond de Andrade, apresentava, em uma de suas obras, uma visão negativa e crítica a cerca do Brasil. Se o autor analissase, hoje, a sociedade contemporânea, veria que seu pensamento faz jus a realidade, afinal, os desafios para a democratização do acesso ao cinema cresce a passos largos. Cabe então, analisar a influência da diferença social e a ausência governamental como fatores dessa problemática com o intuito de revertê-los.

Diante desse cenário, observa-se que a diferença social, infelizmente, ainda é um fator de exclusão para muitas ocasiões. Como por exemplo, a pequena quantidade ou a ausência de sala de cinema em cidades de interior e em bairros periféricos. De acordo com Zygmunt Bauman, no seu livro, Modernidade Líquida, a sociedade, cada vez mais, se torna fluída e egocêntrica e esse pensamento reflete perfeitamente sobre o capitalismo, visando o lucro em detrimento de outros fatores. Paralelo a esse pensamento, as empresas de cinema priorizam a construção em áreas onde a população possui uma melhor renda financeira, pois, desse modo, uma maior parte dos cidadãos poderão ter acesso e pagar um preço mais elevado.

Outro fator motivador, a ser considerado, é a ausência governamental quanto ao entretenimento cinematográfico. De maneira análoga, como o corpo social não possui acesso gratuito para esse tipo de lazer, as empresas privadas, como a Netflix, ganha força e acaba excluindo cada vez mais as pessoas com uma renda inferior. Vale ressaltar, também, que os filmes gratuitos, disponibilizador por emissoras televisivas, como a Globo e SBT, são muitas vezes repetidos ou editados para adequar-se a programação recorrente, com isso, não estimulam as pessoas a assistirem filmes, que além de lazer também é cultura.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir o livre acesso ao cinema no país. Logo, cabe ao Governo Federal -detentor máximo do poder- a tarefa de ampliar os locais de cinemas, mediante obras públicas, a fim de ser mais acessível para cidades do interior e bairros periféricos. Ademais, o Governo Federal deve, por meio de programas sociais, oferecer lazer cinematográfico, mesmo que parcialmente, gratuito para a sociedade, com o fito de estimular a população a apreciar filmes. Com essas medidas, espera-se que a visão de Drummond seja ultrapassada para o contexto brasileiro.