ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 05/11/2019

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão. Nesse contexto, esse mito assemelha-se à luta cotidiana da democratização do acesso ao cinema no país o qual ocorre, não só pela falta de mobilidade urbana, mas também pela desigualdade social.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a imobilidade dos grandes centros urbanos é resultado da falta de atuação de setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado têm a responsabilidade de garantir o bem-estar de toda população brasileira. Entretanto, lamentavelmente, isso não ocorre no Brasil. Por falta da atuação das autoridades. Prova disso são as pessoas periféricas terem que se deslocar para os centros privilegiados, para que consiga-se o acesso ao cinema, tal fato pode ser visto na história brasileira, na qual apresentações no teatro de músicos como a de Carlos Gomes só eram acessíveis para família imperial e a elite carioca que moravam no centro do Rio de Janeiro, próximo ao teatro. Por conseguinte, os indivíduos que não tiveram acesso não foram contemplados com os benefícios que a arte proporciona, como desenvolver um senso crítico e uma visão diferenciada do mundo.

Ademais, é imperativo ressaltar a desarmonia monetária como promotor do problema. De acordo com dados da Ancine, nos últimos 20 anos o número de salas de cinema dobrou. Partindo desse pressuposto, nota-se que mesmo que tenha aumentado, essa evolução se deu de maneira desordenada, pois as empresas cinemáticas em busca da lucratividade só abrirão um negocio em zonas abastadas da cidade, afim de buscar o público com poder aquisitivo. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, haja vista que a desigualdade financeira deixara inacessível o cinema dos indivíduos mais pobres.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para resolução da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, necessita-se, urgentemente, que a Ancine em parceria com o Governo Federal, de incentivos fiscais para empresários que disponham-se em abrir cinemas em áreas que não possuem acesso como favelas, com isso dará locomobilidade para quem mora distante dos grandes centros urbanos. Alem disso, o Banco Nacional de Desenvolvimento e Sustentabilidade (BNDS), deve dar boas condições de empréstimos para empreendedores que disponibilizem-se para abrirem salas de maneira descentralizada, com isso o mercado nessa área terá competitividade e consequentemente uma redução no preço dos ingressos, assim beneficiando os mais carentes. Dessa forma a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros vencerão o desafio de Zeus.