ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 06/11/2019
O surgimento do cinema na década de 90 na Europa, inovou a forma de se fazer arte. Ou seja, com a popularização das grandes telas para os enormes públicos, a produção de filmes cresceu e atrai telespectadores até os dias atuais. Entretanto, no Brasil, nem todas as pessoas possuem acesso ao cinema, por conta da acentuada desigualdade social e a concentração espacial desfavorável desses locais, por isso a democratização dessa forma de diversão tornou-se um grande desafio para o Ministério da Cultura.
O abismo existente entre os setores sociais é um problema histórico no país. Isto é, a classe detentor de bens sempre fora privilegiada, enquanto a população periférica, tem seus direitos negados, um deles é o acesso a cultura. Devido aos preços elevados dos ingressos, incompatíveis com a renda dessas pessoas, ao preconceito que elas sofrem, as longas distâncias e a falta de transportes, a parcela marginalizada não consegue frequentar as salas de cinema. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, dos 20% de brasileiros que vão ao cinema mais de uma vez ao ano, somente 5% são moradores de comunidades.
Ademais, outro fator que contribui com a elitização dos frequentadores dessa forma de entretenimento, é a concentração espacial desigual desses locais. Ou seja, as “telonas” em sua grande maioria, estão instaladas em áreas consideradas nobres, como bairros luxuosos de capitais. Ainda segundo o IBGE, das 2200 salas existentes no país, mais de 2 mil localizam-se em zonas de alta renda, tal problema demonstra a exclusão do acesso das demais comunidades, uma vez que essas nem sempre possuem condições financeiras e de transportes para se locomoverem até esses lugares.
Portanto, torna-se evidente que a desigualdade social e espacial contribuem para que muitos cidadãos não frequentem os cinemas. A fim de democratizar esse acesso, o Ministério da Cultura deve investir em projetos que levem esse entretenimento para todos, com a exibição gratuita de filmes em grandes telas nas comunidades, cartões de desconto nos ingressos em todo país e disponibilidade de transporte gratuito. Ademais, o governo pode estimular a indústria cinematográfica a ampliar a construção de salas em mais locais do país. Dessa forma, as comunidades antes excluídas, poderão ter mais acesso aos cinemas no Brasil.