ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 05/11/2019
“A tecnologia move o mundo”. A frase de Steve Jobs de fato condiz com a realidade, uma vez que o cinema mudou a forma do ser humano ver a sociedade. Porém, desde o seu surgimento até os dias atuais o cinema foi - e ainda é - elitizado. Desse modo, faz-se necessário analisar as principais causas que contribuem para a desigualdade no acesso ao cinema no Brasil, visando buscar soluções que promovam a democratização deste na sociedade brasileira.
Primeiramente, a elevada desigualdade social no Brasil, contribui para que a população mais pobre não tenha acesso ao cinema. Segundo dados da ONU (Organização das Nações Unidas) o Brasil ocupa a 10ª posição entre os países mais desiguais do mundo. Isso contribui para que a população mais desprovida financeiramente tenha dificuldade no acesso ao conteúdo cinematográfico, já que os cinemas no Brasil estão quase que totalmente restrito aos shoppings, os quais cobram preços elevadíssimos pelos bilhetes de entrada, valor esse que muitas pessoas não podem pagar. Logo, observa-se que o cinema é acessível à população que concentra a renda, restando aos pobres serem excluídos da desfrutação desse serviço.
Ademais, há uma elevada diferença na distribuição espacial das salas de cinema no Brasil. Devido ao processo de colonização e industrialização do território brasileiro, há muitos “vazios demográficos” - conceito da geografia que caracteriza uma área pouco povoada - pelo país, os quais se configuram como áreas de repulsão à empresas, o que corrobora na baixa oferta de serviços a população. Desse modo, regiões como o interior do Norte e Nordeste do Brasil não possuem shoppings, nem áreas destinadas ao cinema público e popular, deixando a população sem acesso a esse serviço.
Dado o exposto, é evidente a necessidade de políticas públicas que permitam o acesso democrático ao cinema no Brasil. Destarte, faz-se necessário que o Ministério da Educação incentive as escolas e universidades a utilizarem seus auditórios para a criação de sessões de cinemas populares, exibindo filmes com o uso de projetores de imagem, permitindo, assim, que a população loca tenha acesso a arte cinematográfica. Cocomitantemente, o governo deve investir em programas sociais de distribuição de renda e oferecer subsídios para a instalação de shoppings em áreas de vazios demográficos, reduzindo a desigualdade socioeconômica e socioespacial no acesso ao cinema no Brasil, como almejou Steve Jobs.