ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 06/11/2019
Machado de Assis, em sua fase realista, teceu críticas aos comportamentos individualistas que caracterizavam a burguesia brasileira. O fato de ser um escritor realista demonstra sua perspicácia, já que essas características ainda são marcas da atualidade no que tange à democratização do acesso ao cinema. Em suma, por mais que as camadas populares estejam adquirindo o hábito de assistir filmes, o acesso ao cinema é um privilégio dos mais ricos devido à modernidade líquida. Primeiramente, é essencial salientar que, segundo o renomado filósofo contemporâneo Bergson, a evolução não significa progresso. De acordo com o portal Meiomensagem, a penetração do cinema cresceu em 43% nos últimos 5 anos, demonstrando, assim, uma ótima evolução. Contudo, segundo a Ancine, segmentos inteiros da sociedade, como as periferias e as pequenas cidades, foram excluídas do universo do cinema, comprovando, dessa forma, a tese do pensador. Nesse contexto, fica evidente que a democratização do acesso ao cinema ainda é um progresso que deve ser alcançado.
Também, faz-se mister destacar o termo modernidade líquida. Tal teoria, proposta pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, afirma, assim como Machado, que as relações sociais são individualistas. Nessa perspectiva, as camadas ricas da população optam por assistirem filmes em casa ou em cinemas reservados ao seu meio sociocultural. Por esse motivo, as empresas aumentam o preço dos ingressos tornando o cinema monetariamente inviável aos mais pobres. Logo, é possível afirmar que o individualismo é um obstáculo para a democratização do acesso aos cinemas.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação (MEC), órgão responsável pelo ensino brasileiro, promover palestras nos colégios sobre a importância da coletividade e da pluralidade a fim de formar uma juventude menos individualista. Ainda, vale ressaltar que esse resolução deverá ser feita por meio de parcerias com especialistas na temática. Tal intervenção promoverá a democratização dos cinemas no Brasil.