ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 06/11/2019

Jürgen Habermas em ‘a inclusão do outro’ aponta como fio condutor das políticas públicas do Estado a promoção do bem-estar social e o acesso à cultura. Atualmente, no Brasil, contrapondo-se a premissa do filósofo, a democratização do acesso ao cinema enquanto consumo cultural é cada vez mais dificultado por fatores estruturais e sociais. Desse modo necessita-se o debate amplo a respeito dessa problemática.

Cabe analisar, em primeira instância, o alto preço cobrado pelos ingressos de cinema aliado a alta concentração de salas de exibição em grandes centros populacionais de elevado poder aquisitivo. Essa dinâmica, por conseguinte, segrega uma parcela significativa do corpo social, o que se explica, por exemplo, pelo conceito de reificação de Karl Marx, o qual diz que o lucro é sempre priorizado em detrimento das relações sociais. Isso gera, consequentemente, a exclusão de acesso de pessoas que não podem pagar pelo elevado valor dessas entradas, cabendo o questionamento sobre a efetiva ineficácia estatal como promotor de acesso a manifestações culturais.

Ademais, em segundo lugar, a multiplicidade de novas plataformas de exibição online – Netflix, Prime Vídeo- formam uma forte concorrência ao modelo tradicional das salas de cinema. Isso ocorre porque, de forma mais democrática e barata pode-se acessar infinitos conteúdos cinematográficos bem como compartilhar entre amigos e familiares de forma segura e legal pagando um valor proporcionalmente menor do que o praticado pelas grandes redes de cinema. Essa lógica se explica pela diminuição do crescimento de novas salas físicas de exibição, 50% segundo dados da Agência Nacional de Cinema (ANCINE), o que demonstra a preferência cada vez maior de filmes assistidos por meio virtual.

Nessa perspectiva, portanto, os entraves para a democratização do acesso ao cinema no Brasil possuem causas estruturais e sociais. Logo, cabe ao Governo Federal, através do ministério da Educação e cultura em parceria com secretarias estaduais de fomento as atividades culturais, elaborarem políticas públicas para o estímulo a ampliação da rede de cinemas nacionais por meio de deduções fiscais para empresas do ramo e o subsídio para companhias locais de áreas desatendidas, a fim de gerar a diminuição progressiva no valor dos ingressos e o consequente aumento do público expectador dos cinemas, confirmando assim o papel de promotor de bem-estar social e cultural previsto por Habermas.