ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 07/11/2019
“Ele queria sair para ver o mar, as coisas que ele via na televisão”. O trecho da música “Faroeste Caboclo”, da banda Legião Urbana, retrata a falta de acesso às estruturas de lazer vivida pela população residente em zonas periféricas. Nesse contexto, a existência de cinemas não é democrática, estando restrita às camadas mais altas da sociedade. Dessa forma, essa distribuição desigual da frequência aos cinemas é resultante seja da mentalidade das produtoras cinematográficas, seja da falta de infraestruturas públicas que expandam o alcance de tais exibições. Primeiramente, a indústria ligada ao entretenimento busca o consumo da elite. Visto que há a priorização de obras estrangeiras, a realidade vivida pela maioria dos brasileiros não é representada, de modo que ocorre uma falta de identificação e, consequentemente, desinteresse. Como consequência desse processo de exclusão, tais grupos irão consumir menos e, posteriormente, não terão acesso às obras, que não chegarão a eles por não trazerem lucro.
Seguindo por essa lógica, a representatividade é importante nas exibições cinematográficas. Haja vista a inclusão social, há instituições públicas e privadas que exibem filmes nacionais em suas estruturas de forma barata ou até mesmo gratuita. Porém, apesar de tais medidas contribuirem para a democratização do acesso ao cinema, estas estão presentes sobretudo em áreas urbanas, mantendo a exclusão de cidades do interior, por exemplo.
Considerando o cenário apresentado, cabe ao Ministério da Cultura promover a construção e manutenção de cinemas públicos, bem como o incentivo às produções nacionais a fim de que toda a população tenha acesso e se sinta representada pela cultura. Dessa maneira será possível a garantia de uma sociedade na qual mesmo as zonas mais periféricas tenham a plena oportunidade de usufruir do lazer, contribuindo também para a formação e desenvolvimento da sua identidade cultural.