ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 06/11/2019

“Minha dor é saber que apesar de termos feito tudo, nós ainda somos os mesmos”, assim finaliza a música “Como nossos pais”, escrita por Belchior. É indubitável o fato de que ainda que tenham sido realizadas mudanças quanto ao lazer, há ações que estão relacionadas à democratização do acesso ao cinema no Brasil. Consoante a essa conjuntura, é possível notabilizar entraves como a crença de que somente pessoas cujo poder aquisitivo seja considerável possuem o direito desse lazer e o fato de haver exclusão social, envolvendo áreas precárias.

Precipuamente, cabe salientar o pensamento de que opções de lazer, como cinema, devem estar localizados em grandes cidades, em decorrência da quantidade de consumidores, é um entrave presente no contexto literário. No que concerne ao problema exposto pode ser citado o livro “Ensaio sobre a cegueira”, de José Saramago, visto que a sociedade se torna cega gradualmente, o que coincide com a alienação frente as demais realidades. Tal similaridade corrobora com a ideia de que o consumismo e o lazer são intrínsecos àqueles com alto poder aquisitivo, uma vez que há o controle comportamental imposto pela própria sociedade.

Ainda acerca desse assunto é de suma importância ressaltar que a exclusão gerada pelo cinema afeta áreas cuja infraestrutura se faz precária. Diante desse óbice, é notória a centralização da possibilidade de assistir a um filme em uma sala de cinema, fato esse que se relaciona com o descuido partindo do âmbito Governamental. Logo, referente a essa circunstância faz-se necessário o uso do pensamento do filósofo Thomas Hobbes, já que, para ele, é dever do Estado manter o bem-estar social, o que sofre um déficit pela falta de lazer.

Em síntese, o acesso ao cinema tem sido um infortúnio que atinge, em sua maioria, pessoas movidas pelo pensamento social e áreas precárias. Portanto, é imprescindível a mitigação desse entrave por meio de palestras e debates, promovidas em escolas e trabalhos, ministradas por profissionais das ciências sociais, a fim de apontar as causas e consequências dessa alienação; convém, também, partindo do Governo, implantar telões nas áreas desprovidas desse tipo de lazer, fornecendo assim as mesmas oportunidades e de forma que reduziria a desigualdade. Dessa forma, a crítica tecida na música “como nossos pais” seria voltada apenas para o cunho musical, haja vista a mudança individual e posteriormente social, o que distanciaria de sermos os mesmos.