ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 07/11/2019
A imagem e o movimento são objetos de estudo de diversas áreas do conhecimento científico, principalmente a partir do início do processo de democratização da ciência, no Iluminismo. Com tal estudo, o cinema é criado e, rapidamente, torna-se instrumento basilar na vida humana, espalhando-se ao redor do globo e constituindo, assim, uma nova cultura de consumo das artes audiovisuais. Todavia, no Brasil, dada a extrema desigualdade social fundante do país, parte da população não possui acesso aos cinemas, urgindo que o Estado e a sociedade civil reavaliem os panoramas de disponibilização e distribuição de filmes na nação.
Em primeira análise, deve se observar como a capitalização das salas de cinema as torna indisponíveis para a grande massa de cidadãos brasileiros. Sob o viés do filósofo neocontratualista John Rawls, em suas teses sobre justiça e equidade, somente é possível constituir uma democracia plena se todos os indivíduos têm igual acesso aos meios de cultura numa sociedade. No entanto, com a lógica mercadológica dos “shopping centers”, o cinema sofre um encarecimento, sendo restrito às classes média e alta no Brasil e indo de encontro à teoria do filósofo.
Paralelamente a isso, com o decorrer de uma urbanização acelerada e desenfreada, houve a concentração dos cinemas em regiões privilegiadas por tal fenômeno, criando uma separação geográfica entre o espectador e a obra. Embora esteja ocorrendo uma popularização de inúmeras plataformas de streaming como “Netflix” e “Amazon prime”, tal fato não é refletido no consumidor brasileiro de cinema. Isso se comprova segundo dados da ANCINE que evidenciam que regiões do território tupiniquim, como o Norte e o Nordeste, possuem menor número de cinemas.
Desse modo, é indubitável que a democratização do acesso ao cinema no Brasil ainda é um desafio a ser enfrentado. Para isso, o Ministério da Educação, conjuntamente a ANCINE, pode promover a maior abertura de cinemas universitários de forma homogênea em todo o país, incentivando, também, a produção autônoma pelos estudantes de obras audiovisuais para serem exibidas em tais salas, logo, disponibilizando e distribuindo esse conteúdo para a sociedade civil brasileira de forma generalizada. Assim, o legado de democratização do conhecimento e das artes iniciado no Iluminismo poderá, de fato, ser concretizado no Brasil.