ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 07/11/2019
O Iluminismo, do século XVIII, explica que a sociedade só progride quando um se preocupa com o problema do outro. Entretanto, no Brasil, hodiernamente, quando se percebe as dificuldades em democratizar o acesso ao cinema para a população, nota-se que o ideal iluminista não está sendo colocado em prática. Nessa perspectiva, cabe analisar que a problemática está relacionada à ineficiência do Estado e o desfavorecimento dos mais pobres.
Em primeiro plano, urge analisar que o descumprimento do contrato social corrobora à situação. De acordo com o filósofo contratualista John Locke, as pessoas confiam no Estado e, em contrapartida, o Estado deve, ou deveria, garantir os direitos à população, tais como a cultura e o lazer. Nesse contexto, quando se observa que uma parcela da sociedade não tem a acesso ao cinema, importante ferramenta cultural, conclui-se que os direitos não estão sendo garantidos de forma integral e universal, o que é inadmissível.
Ademais, a marginalização dos menos favorecidos é um catalisador do problema. Com o advento do capitalismo, o objetivo principal se tornou o lucro e, com isso, as empresas exibidoras dos filmes migraram param os grandes centros urbanos. Nesse viés, consoante a filósofa existencialista Simone Beauvoir, ocorreu o fenômeno da invisibilidade social, em que uma parte da população com menor poder aquisitivo, moradora das periferias, foi esquecida e marginalizada. Dessa maneira, é de alta relevância buscar maneiras para mitigar esse desequilíbrio.
Portanto, é imprescindível garantir a possibilidade de todos irem ao cinema. Para isso, cabe ao Ministério da Cultura incentivar as empresas exibidoras de filme a se instalarem nas pequenas cidades. Isso deve ocorrer por meio de incentivos fiscais e doação das áreas em que serão implantados os cinemas, com o objetivo de reduzir custos e permitir a venda de ingressos mais baratos, a fim de democratizar as exibições. Além disso, cabe aos municípios criar o projeto “cinema para todos”, com a exibição de filmes, através de telões, em bairros periféricos. Desse modo, a sociedade progredirá conforme o pensamento iluminista.