ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 08/11/2019

Na obra “1984”, George Orwell retrata uma sociedade fundamentada em um regime autoritário, no qual o estado, dentre outras medidas, controla os meios de comunicação e expressão artística. Um destes era o cinema, pois este permitia um amplo controle comportamental das pessoas. Fora da ficção, é fato que a arte de expressão tem fundamental papel na formação individual e deve ser oferecida à todos, sem nenhum tipo de controle privativo. Nesse contexto, não há dúvidas de que o Brasil não oferece tal democracia na obtenção da arte, transformando-a em um ambiente privilegiado para aqueles que a possuem.

Primeiramente, destaca-se que a prática de contar histórias é um veículo bastante utilizado na estruturação social. Como explica o historiador Yuval Harari, no livro “Sapiens”, no processo da evolução humana, o fenômeno conhecido como revolução cognitiva, fez com que o ser humano passasse a se comunicar utilizando-se de métodos cada vez mais visuais, seguindo uma ordem cronológica, o que possibilitou uma maior integridade coletiva. Nesse aspecto, é notável a importância do cinema, visto à necessidade natural do homem em se comunicar visualmente, contando histórias, para a obtenção de informações e conhecimento.

Sendo assim, torna-se coerente a difusão artística à todas as pessoas, para que a falta desta não afete o corpo social; o que não acontece na realidade. No livro “Capitães da Areia”, Jorge Amado retrata a vida de jovens marginalizados, dentre eles o “Professor”, personagem privado de sua expressão e consumos artísticos decorrente de suas mas condições financeiras. Nesse sentido, a obra se contrasta com a realidade cinematográfica brasileira, à qual apresenta uma segregação socio-econômica, já que seus meios de transmissão, como televisão ou a própria sala de cinema, não são acessíveis a pessoas de todas as rendas, diminuindo o repertório cultural destas.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar esta problemática. Para tanto, urge que o governo federal, por meio de projetos públicos, promova uma maior integração dos indivíduos com menores condições financeiras ao cinema, com a finalidade de reduzir o processo anti-democrático e de privilégios que se instaurou. Uma alternativa, seria a cobrança da entrada em cinemas baseadas na renda declarada por cada pessoa, diminuindo assim o preço para aquelas que não possuem condições. Assim, evitaremos que mais pessoas se encontrem na mesma situação do “Professor”, retratado por Jorge Amado.