ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 08/11/2019
Após 1988, foi aplicado pela Constituição Federal o direito ao lazer a todos. Embora garantido na teoria, na prática o acesso não ocorre de forma igualitária, haja vista a dificuldade na democratização do acesso ao cinema. É preciso, no entanto, buscar as raízes dessa problemática, vinculadas às reformas urbanas e desigualdades sociais. Entendê-las e mitigá-las: eis a missão de um país que se diz democrático.
Em primeiro plano, vale destacar como o meio urbano agrava o acesso ao cinema pelos mais pobres. Ao longo das décadas, grandes centros passaram por gentrificações em alguns meios de lazer, como o cinema, encarecendo o produto e modificando o perfil social dos frequentadores. Por conta disso, o espaço cinematográfico adentrou em grandes shoppings não frequentados pela classe baixa, resultando, por conseguinte, na exclusão dessa parte da população.
Por consequência, a endêmica desigualdade social brasileira se torna determinante no que tange à democratização do acesso a esses meios. Conforme Rousseau, os homens frequentemente nascem em condições desiguais. Nessa perspectiva, os que nascem pertencentes à classe mais baixa já possuem preocupação em suprir as necessidades básicas, colocando serviços de lazer caros em última instância de importância, ferindo, portanto, um direito social que deveria ser garantido pelo Estado.
Destarte, é preciso ajustar as falhas oriundas do ineficiente planejamento brasileiro. Dessa forma, cabe ao poder executivo oferecer incentivos fiscais para empresas que transmitem o cinema. Em troca, essas devem garantir acesso gratuito aos cinemas para população que comprove vulnerabilidade social, além de descontos na compra dos produtos, a fim de democratizar o acesso a esses serviços de forma igualitária. Só assim, poder-se-á cumprir na prática o que o Estado garante na Constituição Federal.