ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 08/11/2019
Cinema. Exclusão. Privilégio. Esses são conceitos que caracterizam o acesso ao cinema na sociedade brasileira, que vem apresentando irregularidade e lentidão na distribuição de salas pelas populações do nosso país. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da privilegiação de algumas regiões e exclusão de outras.
Em primeira análise, o privilégio de áreas com uma disponibilidade maior na quantidade de salas mostra-se como um dos desafios á resolução do problema, uma vez que somente uma parcela da população é beneficiada com esse acesso. Segundo Hegel, um dos principais filósofos da história, a razão rege o mundo. No entanto, verifica-se uma atuação da irracionalidade na questão do acesso “escolhido”, que tem como base uma forte influência da falta de um pensamento racional, já que esse acesso deveria estar disponível para todas as regiões, independente de de renda ou lucro. Assim, sem a presença de uma lógica que permita às empresas exibidoras tomarem decisões de bom senso, esse problema tem sua intervenção dificultada.
Além disso, o acesso ao cinema encontra terra fértil na exclusão, já que algumas regiões (a qual ganham destaque a Norte e Nordeste) não são assistidas, simplesmente por não apresentarem renda para garantir o lucro das empresas exibidoras. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere à essa questão, que ainda é muito silenciada, já que a mídia não divulga os prós do mesmo. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente, aumentaria a chance de atuação nele.
Portanto, indubitalvemente, medidas são necessárias para resolver o problema. Como solução, é preciso que o Ministério da Cultura, em parceria com as prefeituras, promovam espaços e estruturas para um cinema comunitário naquelas áreas não assistidas e de difícil acesso. Tais eventos podem acontecer nas escolas ou em outros espaços cedidos pela prefeitura e devem ser abertos à comunidade como um todo, a fim de que mais pessoas tenham acesso à cultura. Além disso, as empresas exibidoras devem criar mais salas, principalmente nas regiões mal atendidas. Em suma, é preciso que se aja sobre o problema, pois, como defendeu Hannah Arendt, a pluralidade é a lei da Terra.