ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 08/11/2019
O século XVIII ficou conhecido como período das Luzes. Neste contexto, a ideia predominante garantia que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Hodiernamente, ao analisar a ausência de uma democracia do acesso ao cinema no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado somente na teoria e não desejavelmente na prática; e tal problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país. Assim, cabe a análise acerca das causas e possíveis soluções para essa adversidade.
Primeiramente, é mister destacar, a parcimônia de estratégias estatais. A esse respeito, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, desenvolveu o conceito de ‘‘instituição zumbi’’, segundo o qual algumas instituições perderam suas principais funções, no caso do Estado: garantir acessibilidade ao corpo social. Sob tal ótica, é inegável que essa obrigação cabível ao Governo é aplicada de maneira negligente, visto que há pouco transporte na comunidade rural, dificultando , assim, o acesso às salas mais próximas. Logo, vê-se o relapso governamental como fator contribuinte para esse revés, ratificando assim a tese baumaniana.
Outro ponto relevante, nessa temática, é a carência de cinemas nas periferias urbanas. No tocante a essa dificuldade, vale citar a tese do físico Albert Einstein, o mesmo afirma que é mais fácil desintegrar um átomo ao invés de um preconceito vigente na sociedade. Nessa conjuntura, é indubitável a confirmação da teoria supracitada, haja vista que o maior número de cinemas encontram-se nas áreas onde há pessoas com alta renda familiar, essa afirmação é comprovada por uma pesquisa elaborada pela ANCINE, na qual, por exemplo, consta que somente 17% da população tem acesso à empresas de exibição. Deste modo, nota-se a veracidade do pensamento de Einstein e uma parcela da população torna-se mártir do sistema exclusivo.
É evidente, portanto, a existência de obstáculos que impedem a aplicação da ideologia iluminista no Brasil. Destarte, o Estado, juntamente com o Ministério da Cultura, órgão superior responsável por esse âmbito social, têm de ter como premissa a democratização do acesso ao cinema no Brasil, por meio de aplicação de capital em mobilidade urbana, como também, investimento em infraestrutura e segurança. Com a finalidade de ofertar o acesso a atividade em evidência, sem qualquer tipo de segregação, bem como, empresas cinematográficas devem elaborar projetos de salas em locais onde antes eram esquecidos. Isto posto, toda população será alcançada e a nação verde amarela irá ao encontro da filosofia iluminista.