ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 09/11/2019
Nos últimos séculos, é evidente que a sociedade tem usufruído, a partir das Revoluções Industriais (iniciada no século XVIII), de uma série de avanços tecnológicos que permitiram, ao ser humano, a melhoria de sua qualidade de vida. No tocante ao lazer, vale dar ênfase aos aparatos de disseminação cultural, tal como o cinema. No entanto, apesar de servir como entretenimento, este artifício não é acessível à boa parte da população e, além disso, é utilizada, pelos governantes, como mecanismo de manipulação.
O Brasil, devido ao fato de ter conquistado sua independência de forma tardia, teve os primeiros indícios de industrialização apenas no final do século XIX. Tal ocorrido, em conjunto com o êxodo rural, criou um meio propício ao início, já no século XX, da urbanização brasileira, fenômeno tal que proporcionou o surgimento das grandes cidades. Todavia, estes acontecimentos aumentaram a concentração de riqueza nas mãos de donos dos meios de produção e possibilitaram o advento da classe operária (menos favorecida), sendo que esta última ficou desprovida de regalias, como o acesso ao cinema, experimentadas pela classe alta. Vale ressaltar ainda que as ocorrências supracitadas perduram até os dias atuais devido, segundo a renomada filósofa Hannah Arendt, à banalização do mal que há na sociedade.
Além disso, vale enfatizar ainda a manipulação promovida pelos detentores do poder que, a partir dos meios de comunicação mais acessíveis, influenciam as classes baixas da sociedade, visando assim, mantê-los sob seu controle e, com isso, manterem seus benefícios exclusivos, tal como acesso ao cinema. Este fato é observado no livro 1984, de George Orwell, em que os membros do partido fazem uso das teletelas (meio de comunicação) para exercer influência sobre os proletas (classe operária).
Em decorrência dos fatos explicitados, faz-se necessária a ação do Poder Legislativo no desenvolvimento de leis que visem aumentar a quantidade de cidadãos com renda baixa em universidades públicas, a partir do aumento da quantidade de cotas por renda, sendo o número de vagas destinadas a pessoas de classes mais baixas muito superior ao dos não cotistas, em virtude dos primeiros representarem parcela muito maior da população; para que, com isso, os menos favorecidos, a partir da conquista de empregos melhores, venham obter acesso a diversas formas de lazer, tal como o acesso ao cinema.