ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 09/11/2019

O Brasil é um país bastante rico culturalmente, mas em contrapartida a segregação socioespacial faz com que parte da população seja restringida do acesso à cultura. Fazendo uma analogia com o acesso da população aos cinemas, podemos ver que cada vez mais isso tem sido um privilégio da classe média, e a classe mais pobre é excluída, sendo os principais expoentes para tal a desigualdade social e a concentração da cultura nos grandes centros urbanos.

A princípio, devemos mencionar o fato de os cinemas, em sua maioria, estarem localizados em ambientes frequentados pela população de classe média, como os shopping centers. Pois a classe mais pobre se abstém desses ambientes, uma vez que lá serão vítimas de olhares preconceituosos, em alguns casos até proibidas de entrar, como já aconteceu em um shopping de luxo do Rio de Janeiro, em 2014, ferindo o direito de ir e vir do cidadão, assegurado por lei.

Ademais, o número de salas com relação ao número de habitantes no Brasil ainda é pequeno, tornando o acesso às mesmas cada vez menos democrático. A população de cidades afastadas dos centros urbanos é esquecida, extinguindo o acesso à cultura e entretenimento nesses lugares, porque as grandes empresas cinematográficas não veem uma fonte de alto lucro na criação de salas de cinema no sertão nordestino, por exemplo, de modo que o acesso à cultura fique restrito a um grupo seleto da sociedade.

Visto isso, medidas precisam ser tomadas para que a democratização do acesso ao cinema no Brasil aconteça. Primeiramente cabe ao Poder Público facilitar a criação de salas de cinema em cidades que apresentem baixo índice de acesso à cultura, diminuindo os impostos para empresas do setor. Concomitantemente, faz-se necessária a distribuição de verbas para as escolas públicas, de seus respectivos mantenedores, para que sejam promovidas excursões aos cinemas da cidade, de modo que os jovens de baixa renda tenham acesso a esse tipo de cultura, desde o início de seu processo formativo. Por fim, é cabível a população fiscalizar os casos de discriminação, e que a mesma denuncie às autoridades pertinentes os casos existentes, para que qualquer ato segregatório seja devidamente punido e erradicado.