ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 11/11/2019

Promulgada em 1948 pela ONU, após a Segunda Guerra Mundial, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito ao bem-estar social. No entanto, a falta de democratização do acesso à sétima arte – o cinema – no Brasil, hodiernamente, impossibilita que uma parcela da população desfrute desse direito. Isso ocorre, infelizmente, devido não só à quantidade reduzida de salas de cinema no país, mas também à alta concentração espacial desse tipo de entretenimento. Nessa perspectiva, é necessário encontrar subterfúgios a fim de resolver tal postura negligente para a sociedade.

Em primeira análise, faz-se mister salientar que, apesar do número das salas de cinema ter aumentado em mais de 100% desde a década de 90, segundo dados da ANCINE – agência que regulamenta a sétima arte – o Brasil ainda não ocupa uma posição de destaque no acesso a essa arte. Isso é bastante preocupante, haja vista que o entretenimento e as artes são de extrema importância para o desenvolvimento de um país, pois contribuem para a formação crítica dos cidadãos, afastando-os da criminalidade e colocando-os em contato com culturas e povos diferentes.

Outrossim, é imperativo ressaltar que a maioria dos cinemas está concentrado nas regiões mais favorecidas economicamente, em detrimento das áreas pobres. Isso é consequência do processo de Industrial Cultural, em que o lazer é utilizado para gerar lucro no sistema capitalista. Junto a isso, convém citar que os preços dos ingressos são inacessíveis às pessoas de baixa renda, demonstrando que o acesso à sétima arte tornou-se elitizado – menos de 20% da população brasileira frequenta as salas de cinema. Nesse contexto, cabe explanar o conceito de Modernidade Líquida – construído pelo filósofo polonês Zigmunt Bauman – que mostra que a sociedade contemporânea baseia-se em relações líquidas que se distanciam dos interesses da coletividade, priorizando o dinheiro e os objetivos individuais.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para alcançar o estado de bem-estar social, citado pelo filósofo empirista Jhon Locke, Destarte, o Ministério da Cidadania – órgão representante do Poder Executivo cuja função consiste em garantir o equilíbrio do corpo social – desenvolva projetos de ampliação das salas de cinema, bem como da redução dos preços dos ingressos, principalmente para pessoas de baixa renda, de modo que o acesso seja democratizado. Além disso, as instituições educacionais – responsáveis por desenvolver as aptidões sociais e cognitivas no discentes – devem realizar ações proativas que ratifiquem o pensamento do educador Paulo Freire, por meio de fóruns pedagógicos e políticos, com o intuito de aumentar a frequência da população nos cinemas brasileiros.