ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/11/2019
A sociedade é confrontada diariamente pelos riscos fabricados pelas próprias ações. Evidencia-se, então, uma era social marcada pela dicotomia responsabilidade e irresponsabilidade. Se por um lado, os indivíduos estão mais informados, por outro, estão menos críticos, conforme se verifica no livro " Hipermodernidade", de Gilles Lipovetsky. Nesse sentido, discute-se a emblemática atuação do Estado quando se trata da falta de democratização do acesso ao cinema devido a desigualdade social, o que resulta em graves consequências.
É imprescindível ressaltar que com o aumento da industrialização brasileira houve o exôdo rural e as cidades começaram a crescer exponencialmente, porém elas não foram planejadas adequadamente, por exemplo, não deram as devidas importâncias em áreas de lazer, como o cinema. Sem dúvida, o que dificulta o acesso das pessoas nesses locais é a desigualdade social, visto que a população de classe baixa não possuem condição financeira para pagar a entrada e, muitas vezes, não tem nem sala de cinema próximo as periferias. Diante do sistema de normas e valores que regem a sociedade, fica evidente que a exclusão social não é uma questão nova no país. No passado, durante a Idade Média, apenas o clero e a nobreza tinham privilégios, e o povo não.
É importante destacar, também, que não ter os direitos básicos garantidos traz implicações que evidenciam uma “Sociedade do risco”, como bem expôs o sociólogo Ulrick Beck. A principal consequência é no âmbito social, pois o cinema é um meio de lazer que, também, serve para transmitir conhecimento, através de filmes educacionais, como " A sociedade dos poetas mortos", e, com isso, as pessoas que estão a margem da sociedade são prejudicadas. É certo que o futuro depende do triunfo da ética sobre os comportamentos irresponsáveis, como não garantir a igualdade a todos. Desse modo, são necessários novos agentes de mudança quando se trata da relação entre os seres humanos e a área de lazer.
Portanto, a falta de democratização do acesso ao cinema no Brasil é um desafio para o universo do homem social. Para esse mundo globalizado, são necessários investimentos na Educação Social, porque percebe-se, hoje, uma distorção de comportamentos a fim de adquirir novos valores e mudar a conduta. Por isso, os municípios, em parceria com os órgãos responsáveis e a iniciativa privada, devem criar salas de cinemas públicas, já que são meios que também transmitem conhecimento, nos bairros periféricos, para que jovens e adultos de classe baixa tenham a oportunidade de assistirem os filmes, o que irá favorecer a sociedade como um todo imediatamente. Assim, é preciso ter atos responsáveis para uma sociedade mais igualitária.